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O Jornalismo do desastre

01.02.2021 - 20:29:50
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O Jornalismo do desastre é a principal criação do pandêmico 2020, dizem alguns. Insistem, estes, em vociferar insistentemente que nós, Jornalistas, somos os responsáveis pelas ruindades que permanecem neste mundo, nos países, nos estados e até mesmo nas cidades. Os verdadeiros agentes do caos, sob uma ótica um tanto equivocada.
 
Equivocada, em primeiro lugar, por não compreender o exercício do Jornalismo em sua totalidade. Equivocada, em segundo lugar, por não compreender o quão prejudicial pode ser para uma pessoa – sim, jornalistas são pessoas – ter que lidar diariamente com a tragédia. Equivocada, em terceiro lugar, porque prioriza, em muitos casos, interesses individuais em detrimento do coletivo.
 
O Jornalismo é a faca esterilizada que rasga a carne ferida para arrancar a sua infecção. O jornalista é a navalha que faz o serviço sujo, se embrenha em obscuridades e muitas vezes se coloca integralmente em uma função que, a torto e a direito, é mal entendida.
 
A função desta profissão é muito além de engessar a bunda na frente de um teclado mal-acabado e escrever opiniões próprias. O trabalho exige investigação, confirmações e qualquer fato que possa sinalizar um caminho. Sejam bons ou ruins, novos caminhos sempre haverão de surgir – modus operandi do universo -, e é dever diário do jornalista trazer à tona ao público essas realidades desconhecidas.
 
Muitas vezes, isso é difícil. É pesado. Extenuante e angustiante. Não há um conluio de psicopatas que arrancam os cabelos atrás das notícias mais desgraçadas possíveis. Nesta profissão, existem pessoas, muito além das instituições, que entendem seu papel, sua missão como Jornalista, e principalmente: o impacto daquilo que noticiamos recai sobre nós. A preocupação é partilhada.
 
Vários Jornalistas, que exercem serviço essencial, perderam suas vidas, seja antes ou depois desta pandemia, e perderam familiares e amigos. Expostos ao risco diário, com a saúde mental um tanto perturbada e o entendimento de que, se não formos nós, não será ninguém que fará esta obra.
 
Mas… obra do caos? A culpa do fato nunca será daquele que o noticia. Este apenas torna público e acessível algum possível ou concreto desdobramento da realidade, que – repito – atinge a todos. A faca que rasga a carne também fere Jornalistas diariamente.
 
O mundo segue em colapso devido à pandemia do novo coronavírus – que matou mais de 2,2 milhões, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, há pouco mais de um ano, buscamos entender e reportar os principais impactos que o vírus pode causar, e é nossa obrigação ética fazê-lo. A conversa é muito além de ganhar verba daqui e de lá, é sobre atuar em prol da comunidade, e a esmagadora maioria dos Jornalistas faz isso.
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por Théo Mariano

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