Caminhoneiro em sua trajetória de 69 anos, viveu uma vida tranquila e rodou o Brasil contando suas histórias e cultivando amizades. Adorava uma boa prosa e por onde passava lá estava ele, rodeado de pessoas. Cultivou muitas sementes, principalmente da simplicidade e generosidade.
Eurípedes Vieira Naves foi um ambientalista nato em tempo integral, por gostar da convivência com a natureza – preparava mudas de árvores de diversas espécies, inclusive com sementes trazidas de muito longe. Era um hobby cuidar destas mudas com todo carinho, para depois doá-las, presenteá-las ou mesmo levá-las para Beira Rio em Uberlândia, próximo a sua casa; onde passava horas plantando e acompanhando o desenvolvimento das diversas árvores. Também adorava passear por ali, com a esposa, filhos e netos, contando a história de cada muda, cada semente e algumas árvores foram até batizadas com nomes. Foram centenas, e talvez milhares, de árvores que espalhou entre familiares e amigos, pois nunca contabilizava esse belo compromisso com a natureza.
Por volta de setembro de 2020 começou a investigar sintomas na sua saúde física e foi diagnosticada uma síndrome mielodisplásica, algumas intervenções foram feitas, porém não chegou a iniciar o tratamento principal e, no dia 28 de dezembro, deixou este plano e partiu rumo a sua grande viagem.
Goiano de Itumbiara, onde nasceu no dia 25 de maio de 1951, filho de Jerônimo de Paula Naves e Irani Vieira Naves, quando jovem ajudou familiares na atividade rural em Goiás, mas logo depois mudou-se para Uberlândia onde casou-se em outubro de 1975 com a mineira de Campina Verde, Zuleica de Fátima Silva; com ela teve três filhos: Sheila de Paula Naves e Silva, psicóloga, atualmente residindo em Araxá, MG; Aline de Paula Naves e Silva, enfermeira, que mora em Uberlândia; e Pablo de Paula Naves e Silva, há três anos em Londres, onde trabalha com pintura. Os três filhos lhe deram cinco netos: Sheila, a primogênita, teve o Zach, em 2014; Aline, o Ruan Gabriel, em 1997, e a Alissa, em 2017; e Pablo, o Rafael, em 2002, e o Miguel, de 2010.
Eurípedes profissionalmente foi motorista toda sua vida, primeiro em uma empresa de carros forte, posteriormente em uma rede de supermercados; logo depois adquiriu veículo próprio e se dedicou a viagens com cargas secas, por todo país, ultimamente em especial pelo Norte de Minas.
Quando retornava de suas viagens ficava em casa, com a família, envolvido com reparos e cuidados com o caminhão – tinha seu espaço, que chamava de ateliê, uma oficina onde gostava de fazer trabalhos manuais, esculpia na madeira objetos de trabalho em miniatura e outros. Construía também casas para passarinhos e tinha o hábito de sempre colocar comida, para que estas visitas tão desejadas estivessem sempre por perto. Às vezes pegava o violão e arriscava fazer um som, cantava músicas caipiras que aprendeu sozinho mesmo. Estudou pouco na escola, mas adorava leitura, em especial de jornais e revistas, que colecionava edições especiais, e também moedas antigas e cartões telefônicos.
Generoso e companheiro, como comenta sua filha Sheila – “não houve ninguém que passou na vida do meu pai sem ter sido por ele ajudado”. Se a frase do poeta cubano José Martí estiver certa – “Há uma coisa que um homem deve fazer na sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro” – Eurípedes cumpriu com honra sua missão, pois foi exemplar no seu papel de pai, plantou várias árvores e sabia-se que também escreveu por toda sua vida, porém seu diário não foi encontrado após sua partida.
*Jales Naves, jornalista e escritor, presidiu a Associação Goiana de Imprensa (AGI) em três mandatos consecutivos (1985-1991) e ocupa a Cadeira nº 30 da Academia de Letras e Artes de Caldas Novas.