É inegável a importância das estruturas de TI (tecnologia da informação) dos governos para uma melhor prestação de serviços nos dias de hoje. Esta realidade se torna amplificada pelo aparecimento de pandemias como a de Covid-19, além de ameaças cibernéticas que estão cada vez mais complexas e variadas em todas as indústrias e áreas de serviços. De modo geral, as áreas de TI estão em uma busca constante para antecipar soluções, monitorando as ameaças e executando planos de restauração de dados.
Até 2025, a consultoria de serviços mundial Gartner prevê que 70% das equipes de TI terão que criar e liderar culturas de resiliência nas organizações para resistir a ameaças semelhantes à da pandemia de Covid-19. Exemplos são a cibercrimilidade, as alterações de clima mundial, os problemas civis e as instabilidades políticas em todo mundo.
Para se preparar para este futuro cada vez mais próximo, um dos principais pilares das áreas de TI é a sua estrutura operacional. Nesta estrutura, o modelo centralizado ou descentralizado direciona todo o processo de planejamento, estratégia e inovação de TI nas organizações.
Por um lado, a estratégia de centralizar as estruturas de TI nos governos traz eficiência, economia de escala para produtos e serviços padronizados. Por outro, a estrutura descentralizada cria ambientes mais propícios à velocidade de desenvolvimento, inovação e cooperação entre times.
É importante reconhecer que o modelo centralizado não significa falta de inovação ou agilidade. Não existe uma resposta única para essa pergunta, e, pessoalmente, resisto a um estereótipo baseado em modelos “bons ou ruins”.
A grande pergunta que temos é: centralizar ou não as estruturas de TI nos governos?
Nesse sentido, o Governo de Goiás tem estruturado a área de TI de maneira flexível, isto é, saindo da perspectiva binária de que os modelos centralizado e descentralizado são mutuamente excludentes para um modelo híbrido, em que há a integração de desenvolvimento entre pessoas e secretarias. Isso permite que sejam compartilhados critérios de desenvolvimento e serviços para uma melhor tomada de decisão.
Uma das iniciativas de inovação e criação dos projetos de desenvolvimento no Estado é o Ligo (Laboratório de Inovação Goiás), em que é utilizado o modelo de uso compartilhado em TI. Os serviços são desenvolvidos com a participação de times entre as secretarias. Toda a gestão do conhecimento e aprendizagem é compartilhada.
Nesse sentido, a responsabilidade de TI nos Estados é de extrema importância em vários cenários, desde a clareza nos critérios da escolha da estratégia operacional de desenvolvimento e inovação, como na coordenação e agilidade das entregas dos serviços para os cidadãos, especialmente em períodos críticos como esse da pandemia de Covid-19.
A frase “pense grande, inicie pequeno” costuma ser cogitada como um jargão corporativo utilizado por muitos gestores em TI. Este princípio descreve bem como a governança de TI equilibra a utilização entre os modelos centralizado e descentralizado para fornecer resultados efetivos.
Assim, os responsáveis de TI devem assumir o papel de liderança na avaliação dos projetos, permitindo uma abordagem sinérgica entre as secretarias.
*Rodrigo Michel de Moraes é subsecretário de Tecnologia da Informação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Inovação (Sedi)