Como todo ser humano minimamente são, também estou estupefato com a história desse maluco de Aurora, no estado do Colorado (EUA), que matou e feriu uma galera em uma sessão de cinema. Esse tipo de massacre é simplesmente incompreensível, gera todo tipo de especulação. Natural. Quando entendemos, mesmo que discordando profundamente, a coisa fica mais clara. Por exemplo, um latrocínio. Por mais absurdo, sabemos que o cara matou para roubar. No crime passional, mesmo revoltados, sabemos que o cara matou por ciúme. No massacre dentro do cinema, só nos resta uma grande interrogação.
E daí começam a surgir teorias mais malucas possíveis. Dizem que o assassino de 24 anos era fã de videogames. Em especial dos jogos violentos, desses em que a matança é geral. Logo, segundo os comentários que surgem na imprensa, o videogame teria influenciado o rapaz. Uma bobagem. Mas o mundo hoje é de sempre pegar o caminho mais fácil, os simplismos e sempre que dá, meter a culpa no outro.
Quantas pessoas têm como hobby jogos violentos? Dessas, quantas cometeram chacinas como a que chocou o mundo? Percentualmente, veremos que essa hipótese é absurda. Mas ela está inteiramente vinculada à estúpida mania de culpar o outro. Se meu filho mexe com drogas, a culpa é das más companhias. Se minha empresa quebrou, a culpa é do governo que não me ajudou. Se meu time foi goleado em casa, a culpa é do técnico que sequer entra em campo. Se minha mulher me traiu com meu amigo no sofá da minha casa, a culpa é do sofá. Se eu não consigo emagrecer, a culpa é da minha mãe que só faz comida gorda. Se minha vida está toda errada, a culpa é do capeta. Desculpe, mas eu não caio nessa.
Se fosse questão de influência, não existiria violência antes do advento desse tipo de jogo. E não o passado nos mostra. Até as histórias que estão na Bíblia são repletas de sangue. Há poucos anos, a culpa era da televisão e do cinema. Agora sobra para os joguinhos. Cara, será que não está claro que a culpa é do fulano que pega em uma arma sem o menor preparo ou capacidade mental para isso? O fato é que discutir censura aos jogos, televisão ou cinema é mais cômodo do que ter um maior controle sobre o aceso às armas.
Culpar os jogos pode ser o mais fácil, mas definitivamente não é o mais factível.