Basta uma rápida conversa em qualquer turma, quer seja online ou na vida real para notarmos o ódio implícito e fragmentado nos diálogos. O brasileiro, o mundo em si, tem sede de justiça e a manifesta de várias formas. Alguns vão para a rua lutar por seus ideais, outros descontam suas frustrações por ver que a vida não é bem como imaginava em doses de ironia, sacarmos e violência verbal aqui e acolá, e outros partem para o linchamento, quer seja literalmente ou na simples defesa da aplicação do pensamento “olho por olho, dente por dente.”
Você já observou nosso comportamento diante de filmes e/ou novelas onde o “bem” e o “mal” têm seus papéis definidos? Tomamos partido, torcemos pela morte do tal “cara ruim”, vibramos quando o troglodita que bate na mulher leva uma senhora surra ou morre no final do enredo e torcemos até mesmo para os “vilões”, quando os supostos mocinhos ultrapassam os limites do “aceitável” em nome da justiça. Mas, temos sempre um limite, o limite do “bom senso” geral. Um exemplo ótimo é a novela das 9 da Rede Globo, Avenida Brasil. Desde seu 100° capítulo que a trama tem sido pauta contínua nas redes sociais, principalmente fora do horário em que é veiculada. Quer seja satirizando a vilã inicial (Carminha) ou usando frases da teórica mocinha (Nina) é clara a vontade dos telespectadores por algum tipo de justiça, ainda que se trate de uma trama totalmente fictícia e também é clara como a sociedade em si se projeta nos personagens:
AGORA SIM NINA!!!!! AMEI o TEXTO!!!!! SALVE o BRASILEIRO!!!!!
— Paula Lima (@Lima_Paula) julho 25, 2012
BOM DIA vc q ta com vontade de gritar “Me serve, Vadia” pro seu chefe! Todo mundo merecia um dia de Nina, ne?
— Hugo Gloss (@HugoGloss) julho 25, 2012
Reclamamos e cobramos todos os dias e, no entanto, nos esquecemos de “limpar” nossa própria casa, que é a nossa mente. Quando nos envolvemos no ódio e hostilidade de todos os fatos e notícias externas que todos os dias nos abraçam, deixamos de racionalizar e descemos ao mesmo nível de um assassino quando desejamos a ele o mesmo ato que por ele foi cometido.
Diz bem a música “Companheiro”, da cantora goiana Maria Eugênia: “Não se iluda! Nada muda se você não mudar.” E mudar não significa eximir nosso governo de nos oferecer segurança e justiça, mudar significa trazer pra si a responsabilidade de ser, no pequeno universo no qual estamos inseridos dia a dia, a diferença que gostaríamos de ver.
@Cacau_mila