Pedro Jacobson
Goiânia –
Em 2019, um grupo de empreendedores ousou sonhar em conquistar o topo. Não somente isso, mas levar consigo o nome e a cultura do Estado de Goiás consigo. E, desse sonho, nasceu a Rensga e-Sports. Subestimados por todas as outras organizações semelhantes, o time insistiu, sentiu o amargo gosto da derrota inúmeras vezes, até que pudesse se impor diante dos gigantes. Neste sábado (21/8) às 13h, a Rensga enfrenta o maior desses gigantes, a paiN Gaming, atual campeã do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL). Os dois times disputam a semifinal.
O CEO da Rensga, Djary Veiga, comentou sobre a importância de representar o estado no CBLOL: “Estamos fora de Rio e São Paulo, que é o eixo que centraliza os eventos. Tínhamos o sentimento de que Goiânia precisava de um lugar legal para os e-Sports e também de um time para representar a região. Hoje, nossa base de torcedores já aumentou bastante, mas ainda cultivamos a simpatia de grande parte do público que acompanha o LOL e ouso dizer que somos o primeiro time de muitos e o segundo time da outra parte de torcedores que já torcia para alguma outra organização", diz sobre a aceitação do público.
Esportes Eletrônicos e CBLOL
Já faz pouco mais de duas décadas que os esportes eletrônicos surgiram como profissão, mas apenas recentemente tem ganhado mais popularidade. Desde 1999, jogos como o ‘Counter Strike 1.6’ são bastante populares no Brasil, com forte potencial competitivo. Esses produtos passaram a ser chamados de esportes eletrônicos, e reunirem estruturas de competição similares a dos esportes tradicionais.
O CBLOL é o torneio de nível nacional correspondente ao jogo ‘League of Legends’, do estilo ‘Multiplayer Online Battle Arena’ (MOBA). A modalidade consiste em uma disputa estratégica dentro de um mapa fechado, onde cada jogador controla um personagem do jogo, com funções e habilidades distintas.
O ressurgimento da fênix
A jornada da Rensga rumo ao mais alto nível do League of Legends brasileiro poderia ser comparada ao mito da Fênix, pássaro lendário que no fim de sua vida, entra em combustão e se reduz a cinzas. E então, ressurge para uma nova vida.
A estreia da Rensga no Circuito Desafiante, em 2019, até então uma espécie de “Série B” do CBLOL, foi dramática. Amargando quatorze derrotas e apenas uma vitória, o que acarretou no rebaixamento do time. No ano seguinte, o time começou a se estruturar melhor, venceu o ‘Tier 3’, torneio classificatório para o Circuito Desafiante, e retornou à sua liga de estreia.
No segundo semestre de 2020, o time bateu na trave do CBLOL, sendo eliminado na semifinal pela Team One e-Sports. Porém, muito diferente do 1/14 que apresentou da última vez, a Rensga deixou o Circuito Desafiante com uma impressão diferente, de que estava evoluindo como equipe.
Em 2021, o formato do CBLOL mudou, e o Circuito Desafiante foi substituído pelo CBLOL Academy, aos moldes do Academy praticado na NBA. Portanto, não era mais a porta de entrada para o CBLOL, e sim um campeonato para que os times do Brasileiro pudessem testar novos jogadores.
Dessa forma, as equipes que tinham como objetivo disputar a elite do League of Legends brasileiro deveriam inscrever um plano de ação concreto e convincente, que seria apresentado à Riot Games, criadora do jogo. Assim, a Rensga o fez, tendo seu plano aceito, surpreendeu ao conquistar a vaga no CBLOL, diferentes de times mais antigos e mais tradicionais, como a Keyd eSports e a CNB, do ex-jogador Ronaldo Fenômeno.
O desempenho do time goiano na primeira etapa do CBLOL 2021 alimentou os argumentos daqueles que esperavam o fracasso da equipe. Com um resultado que lembrava o primeiro Circuito Desafiante que disputou, terminou o campeonato em último lugar das dez equipes, com quatorze derrotas e apenas quatro vitórias.
Porém, mantendo a persistência, Djary explica como se deu a seleção da equipe: “A vinda dos sul-coreanos (Park “Croc” Jong-hoon e Cha "Yuri" Hee-min) para o time, bem como do suporte Yan “Damage” foi uma grande oportunidade de mercado que soubemos aproveitar. Mas o projeto da Rensga BitPreço é fomentar os esportes eletrônicos fora do eixo Rio-São Paulo e, por isso, também nos preocupamos em revelar novos talentos, como o topo Thiago “Kiari” e o atirador Matheus “Trigo”, que estão performando muito bem neste segundo split”, comenta ele.
Com a nova ‘line-up’ definida, a Rensga começou a segunda etapa do CBLOL ainda um pouco instável, com três vitórias e seis derrotas. Após um breve recesso, a segunda etapa foi retomada, e o time voltou para mostrar outro resultado, sendo derrotado apenas uma vez, conquistou outras oito vitórias. Dessa forma, a Rensga subiu até os playoffs do CBLOL com onze vitórias e sete derrotas, ocupando o quarto lugar da disputa.
Redenção subestimada
Após a onda de vitórias da Rensga, durante um período da segunda etapa do campeonato, o time ocupou o primeiro lugar na tabela do CBLOL. O jogador Filipe “Ranger” Brombilla, até então membro do Flamengo e-Sports, escreveu em suas redes sociais: “Rensga em primeiro no CBLOL é igual jabuti em árvore, você não sabe como chegou lá, mas sabe que uma hora vai cair”, dizia o tweet do pro player.
O Flamengo e-Sports foi eliminado nas quartas de finais pela Red Canids, que enfrenta a Vorax Liberty no domingo (22/8), na semifinal. A vitória na Rensga nas quartas se deu contra a equipe da Loud, realizando um 3×0 na série melhor de cinco.
Superando as estrelas
A expectativa do time para a semifinal é alta, vencer a paiN no sábado (21/8) significa estar a uma final do Mundial de League of Legends. Também representa mais uma oportunidade de provar o empenho da organização em cumprir seu propósito.
“No primeiro split do ano não fomos bem e, rapidamente, mudamos nosso planejamento para o segundo split e novas rotinas de trabalho com o time. A classificação para a semifinal, portanto, é o resultado da dedicação de todos os profissionais da organização e fruto de muito trabalho. A sensação é de que agora – ao menos parece – estamos no caminho certo para mirarmos objetivos ainda maiores”, comenta Djary Veiga sobre os resultados dos trabalhos da equipe.