Semana passada fui ver Valente, no cinema. Programa de criança que adulto adora. O desenho da Pixar tem pela primeira vez uma protagonista menina. E que menina: rebelde como seus cabelos encaracolados e vermelhos ao vento, corajosa e à frente do seu tempo.
Mérida (a Valente em questão) é uma princesa diferente porque não se conforma com as convenções, não quer ser uma mocinha engomada, casar e ser obediente ao marido. Ela quer aventuras, andar a cavalo, fazer tiro ao alvo e, principalmente, ser ela mesma.

(Foto: reprodução/Disney-Pixar)
Fazendo um paralelo com o mundo real, Mérida é como milhares de pessoas que vão à luta pelo direito de ser quem são, que não aceitam desempenharem um papel no qual não se sentem confortáveis e que correm atrás da própria felicidade.
Muitas vezes esse caminho é cheio de julgamentos, críticas e moralismos baratos. Em mundo que se julga moderno, ser gay ainda é motivo de chacota, mulher que não casa é largada, casais que não querem procriar são egoístas, gente gorda é desleixada, cabelo crespo é ruim.
Vivemos a era da massificação do indivíduo, em que para ser aceito é preciso ser igual. Vestir a roupa da moda (muitas vezes horrenda, olha aí a cauda mullet e os sneackers que não me deixam mentir), ser magro, malhado, bonito, hetero, bem-sucedido, rico, viajado.
Precisamos ser tantas coisas para sermos aceitos, que tem gente se esquecendo de ser quem é.
E na vida não há valentia maior do que ser verdadeiro consigo mesmo e correr atrás do que se gosta, sem se prender a estereótipos e papéis pré-estabelecidos. Na vida, o que vale é tentar ser feliz.