Aline Mil
Apesar da forte baixa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) na tarde de segunda-feira (8/8) e do anúncio de caos no mercado, especialistas aconselham que o momento não é de pânico para os investidores brasileiros. Para o corretor Leandro Maia, sócio da Centro-Norte Investimentos, a velocidade com que as informações correm faz com que o mercado de ações reaja de forma muito agressiva a qualquer notícia, seja ela boa ou ruim, influenciando atitudes precipitadas. Com o rebaixamento da nota da dívida pública dos Estados Unidos por uma agência de avaliação de risco financeiro na última sexta-feira (5/8), investidores ao redor do mundo ficaram receosos e venderam suas ações, causando um tsunami de baixas no início dessa semana. "Uma divulgação desenfreada cria um movimento irracional no mercado e a bolsa brasileira, que está com papéis rentáveis, acaba sendo depreciada", explica o agente.
Ao fim da tarde dessa segunda, no primeiro pregão após o rebaixamento da nota de risco da dívida norte-americana, a Bovespa fechou com queda de 8,08%, aos 48.668 pontos. Essa é maior queda desde outubro de 2008, durante a crise imobiliária estadunidense. Durante o pregão, o índice chegou a cair para 9,74% e, por muito pouco, a direção da Bolsa de Valores de São Paulo não suspendeu os negócios. Caso chegasse aos 10%, as negociações seriam suspensas por meia hora. O mecanismo é usado para que os investidores acalmem os ânimos e a euforia não cause uma baixa ainda maior. Ainda assim, as duas principais empresas que compõem o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), Petrobrás e Vale, perderam, juntas, R$ 42,6 bilhões do seu valor de mercado.
Temperança
Para Maia, esse é um momento passageiro e não há motivo para que o investidor brasileiro se desespere. "O mercado de ações é cíclico e as fases duram cerca de 5 ou 6 anos. Mas acredito que esse período crítico deva passar em dois ou três meses", prevê o especialista. Com mais de dez anos de experiência no mercado de ações, Maia analisa que as grandes empresas no Brasil estão com bom lucro, em pleno crescimento de receita e as ações não deveriam estar sofrendo uma influência tão negativa do mercado exterior. Por isso, a estratégia tanto para pequenos quanto grandes investidores deve ser a mesma: esperar. "Para aqueles que não precisam desse dinheiro de imediato, a dica é aguardar. Se há liquidez e se o investidor não fez compromissos a curto prazo, essa seria a pior hora para sair", aconselha.
O médico Thiago da Silva, 30, pretende seguir a dica. Thiago investe pequenas quantias em ações há cerca de quatro anos e ainda não sentiu a alegria de ver seu dinheiro multiplicado. Mesmo assim, ele sabe que esse não é o melhor momento para a retirada da aplicação. "Desde que comecei a investir, nunca obtive lucros. Mas tenho esperanças que essa seja apenas uma fase ruim", conta ele. Thiago não é um especialista, mas sabe que a queda nos papéis é resultado de fatores que podem ser normalizados em poucos anos. No auge da crise imobiliária norte-americana, em 2008, o médico chegou a ficar com apenas 10% do valor investido, mas não desanimou. Em pouco tempo, a bolsa se estabilizou e, até a queda brusca dessa segunda-feira, ele havia recuperado todo o dinheiro inicial investido.
Otimismo
Graças ao crescimento da economia interna do país, as chances de uma recuperação rápida são a aposta dos esperançosos analistas brasileiros. Para o corretor Leandro, esse é um ótimo período para quem quer começar a comprar de ações. "Nosso país está num momento de crescimento pleno. Quando os Estados Unidos voltarem a comprar produtos do mundo inteiro, nossa produção voltará a ser valorizada e os papeis também," finaliza. O médico Thiago é cauteloso, mas compartilha do otimismo do corretor. Para ele, o importante é procurar se informar sobre as aplicações e o mercado para tentar acertar as manobras, ainda que esse não seja seu principal investimento. "Espero que meu dinheiro dobre! Aí sim posso começar a pensar em retiraradas", espera o médico. A ordem agora é aguardar e pechinchar!