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“Este é o momento de ter muita cautela no campo”, diz Zé Mário

16.12.2021 - 11:48:27
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Augusto Diniz

Goiânia – Ao fazer o balanço do agronegócio goiano em 2021 na manhã desta quinta-feira (16/12), o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), deputado federal José Mário Schreiner (DEM), o Zé Mário, pregou que o produtor tenha precaução nos passos que irá dar daqui até 2022. "Este é o momento de ter muita cautela no campo", declarou o homem de frente da Faeg em evento na sede da entidade.

O Sistema Faeg, Senar [Serviço Nacional de Aprendizagem Rural] e Ifag [Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás] apresentou hoje os números da produção goiana no agronegócio e os resultados na exportação em 2021. Enquanto o presidente da federação, Zé Mário, definiu 2022 como um ano para se ter cautela, 2021 para o setor é tratado com um período de "restrições e resiliência". 

"2022 esse paciente [a economia] vai continuar se recuperando para que em 2023 ele possa voltar a ter uma vida normal. 2022 ainda deve ser um ano em que ele vai ter que consumir bastante canja, o organismo ainda não vai suportar uma alimentação mais pesada. Seria o momento de reconstrução das nossas bases para quem em 2023 a gente espere que algo melhor possa acontecer com o nosso País, com o nosso Estado e, claro, com outros países do mundo", disse Zé Mário ao falar sobre os impactos da pandemia de covid-19 no agronegócio e nas finanças, que causou "um desarranjo muito grande".

Zé Mário afirmou que a crise sanitária gerou uma crise que reduziu a oferta de insumos, o que fez os preços subirem em todo o mundo, assim como puxou para cima a inflação. Um dos pontos que foram afetados, citou o presidente da Faeg, foi o setor de logística. "Esperamos que a inflação volte ao centro da meta em 2022, de 4% a 4,5%. Não vamos esperar muita coisa para 2022. Além de tudo é um ano político. Não sabemos como o mercado vai reagir."

Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas no campo, desde o embargo chinês a carne bovina brasileira, longo período de estiagem, pragas, inflação elevada, economia em baixa e custo alto dos insumos para o início da safra 2021/2022, o agronegócio ainda é responsável por US$ 78 a cada US$ 100 em mercadorias vendidas por Goiás a outros países. De acordo com o presidente da Faeg, só a China é responsável por comprar 40% do que o Estado exporta vindo do campo, com US$ 3,27 bilhões em mercadorias do agronegócio goiano comercializados com os chineses.

A China é um dos cinco países ou blocos que mais compram produtos do agronegócio goiano. Em 2021, União Europeia (US$ 621,5 milhões), Tailândia (US$ 236,5 milhões), Irã (US$ 151,4 milhões) e Indonésia (US$ 141 milhões) se uniram aos chineses como os maiores compradores do setor agropecuário de Goiás. Por outro lado, o campo importa 81% dos produtos que traz para o Estado da Indonésia (US$ 24,1 milhões), Argentina (US$ 20,9 milhões), União Europeia (US$ 16,5 milhões), Estados Unidos (US$ 11,3 milhões) e China (US$ 4,1 milhões).


Leonardo Machado (Ifag), Zé Mário Schreiner (Faeg) e Edson Novaes (Ifag)
apresentaram o balanço comercial do agronegócio e pediram "cautela"
ao produtor (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)

Crescimento tímido
De acordo com os dados apresentados pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag, sem o agronegócio em 2021, a balança comercial goiana fecharia o ano negativa, com menos US$ 3,1 bilhões na comparação com 2020. A produção de carne bovina deve fechar 2021 com crescimento de 2%, enquanto a suína pode chegar a 5% de alta, seguida de 18% na carne de frango. Nas exportações, a carne bovina produzida em Goiás subiu 1,1% na comparação com o período que vai de janeiro a outubro do ano passado, com elevação de 2,5% na venda de frango para outros países.

O crescimento tímido tem algumas explicações, segundo o presidente da Faeg. Zé Mário aponta a elevação dos custos de produção como um dos motivos para que o produtor adote a cautela ao pensar nos gastos para 2022. Os dados o Ifag mostram que para se chegar a um saco de 60 quilos de milho, o agricultor goiano precisou gastar 27,07 litros de leite na safra 2020/2021. "Já em igual período de 2021, para a mesma aquisição, seriam necessários 33,19 litros, alta de 23% em um ano", observa a Faeg.

O Ifag aponta que, mesmo com crescimento de 1,6% na área plantada em Goiás neste na safra 2020/2021, a produção registrou perdas nas plantações de milho, sorgo, girassol e trigo. Na comparação com a temporada 2019/2020 no Estado, a queda na produtividade foi de 35,6% no milho, 18,1% no sorgo, 40,5% no girassol e 41,2% no trigo. Só na cana-de-açúcar, a redução chegou a 71,7 milhões de toneladas, o que representa uma produção de menos 3,1% do que a registrada na safra anterior.

"Vamos ter que fazer contas do custo da nossa produção. Talvez não no uso de insumos, de tecnologia. Isso cada produtor tem que fazer a sua conta. Mas no investimento de médio a longo prazo." Zé Mário citou o aumento do preço das máquinas agrícolas, que se forem compradas no pico da alta do dólar, a dívida não será paga quando o preço das commodities se acomodares no mercado internacional. "Qual é o resultado disso? Endividamento do setor. Precisamos ter muito cuidado com isso."

Soja em alta
As dificuldades não impediram o crescimento da produção de soja em Goiás, com uma colheita que chegou a 13,1 milhões de toneladas na safra 2020/2021. Com isso, o Valor Bruto da Produção (VBP) do agronegócio goiano deve ultrapassar a marca de R$ 95 bilhões neste ano. As exportações no campo atingiram alta de 4,9% e ficaram em US$ 6,4 bilhões de janeiro a outubro.

Já o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio em Goiás deve fechar o ano em queda de 1%, com expectativa de subir 3% em 2022, de acordo com dados de entidades nacionais e estaduais (Conab, Bacen, IBGE, Caged, CNA e Ifag). O PIB do Estado tende subir 3,2% em 2021 e pode chegar a um crescimento de 3,5% no ano que vem. No Brasil, o PIB do setor agropecuário está previsto em 1,8% neste ano e deve saltar 2,4% em 2022.

Em toneladas produzidas, o mílho registrou a maior queda, de 33,2% em Goiás. Toda a produção da agricultura goiana sofreu redução de 13,8% neste ano. A expectativa do setor é de crescimento de 52% na colheita de milho e de 21,3% na agricultura em 2022. As entidades goianas atribuem parte da redução na produtividade à seca.

A queda na produção veio acompanhada do aumento dos custos em 2021, que chegaram a subir 82,4% para a soja em Goiás, 96,1% no milho, 80,1% na pecuária de corte e 42,3% no leite. Os dados são da comparação entre outubro de 2020 e outubro de 2021. Enquanto milho teve alta no valor de mercado em 28,8% e o feijão 4,1% no mesmo período avaliado, a soja sofreu queda de 15,6% no preço para o produtor. "Esperamos que a safra goiana volte a crescer, assim com a safra brasileira", pontuou o presidente da Faeg.

Participaram da apresentação do balanço do agronegócio ao lado de Zé Mário, da Faeg, Edson Noaves, diretor executivo do Ifag, e Leonardo Machado, coordenador institucional do Ifag.

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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