A Redação
A esperança da torcida colorada em ver a equipe repetir a boa partida realizada contra o Goiás – quando deixou a vitória escapar nos minutos finais – não demorou a ruir na noite desta terça-feira no Serra Dourada. Logo no primeiro lance defensivo, contra o lanterna Duque de Caxias, que até então não conseguiu vencer na Série B, o goleiro Michel Alves bateu roupa em chute de fora da área, oferecendo rebote. Gilsimar, aos 3 minutos de jogo, calou os pouco mais de 5 mil torcedores que foram ao Serra, fazendo Duque 1 a 0.
Dava-se início a mais uma noite turbulenta para os vilanovenses, que não pouparam palavrões ao técnico e jogadores, mesmo com o empate buscado na segunda etapa, com gol do zagueiro Augusto. O resultado pesa o clima no colorado, que agora tem 20 pontos na 14ª posição, pondendo cair ainda para a 16ª colocação com o término da rodada, na sexta-feira. No fim do jogo, o técnico Hélio dos Anjos desabafou. Disse ser ainda técnico do Vila, mas está insatisfeito com a equipe e o comportamento da torcida, e que “quando estou insatisfeito eu não meço consequências”, revela (leia mais abaixo).
Baque
O gol logo aos 3 minutos caiu como uma bigorna sobre os ânimos colorados. Em chute longo, o goleiro Michel Alves não segurou, e Gilsimar no rebote encheu o pé para as redes. Atordoados em campo, a equipe colorada, que se mostrou compacta no clássico do último sábado, era facilmente envolvida pelos atacantes do Duque de Caxias, que desperdiçaram chances, principalmente pelo lado esquerdo, com Túlio Souza. Ainda na equipe titular na vaga de Luizinho, o lateral Victor Ferraz recebia broncas de Hélio dos Anjos, agitado e tentando injetar ânimo aos jogadores.
Não demorou até que vaias ecoassem pelo Serra Dourada. Vendo sua equipe atônita, Hélio dos Anjos sacou aos 32 minutos Ricardinho e colocou Betinho em campo. Deu-se início, a partir daí, o coro de “burro!”ao técnico, que se estenderia pelos minutos seguintes, além de vaias tendo como principal alvo o atacante Roni. No final do primeiro tempo, um grupo de torcedores se concentraram atrás da saída para os vestiários, para hostilizar a equipe.
Roni no banco
No retorno para o segundo tempo, o Vila veio sem Roni, que em 45 minutos chutou apenas uma vez a gol, e tendo Wando em seu lugar. Conforme veio explicar posteriormente Hélio dos Anjos em entrevista coletiva, não era justo depositar toda essa carga sobre o jogador. As mudanças não surtiram tanto efeito. Novamente aos três minutos, novo chute de fora da área. Michel Alves volta a falhar, e a bola rebatida sobra livre para Gilsimar mandar para as redes. Mas, desta vez, o camisa 9 isolou por cima do gol. Os visitantes seguiram os próximos minutos mostrando-se mais perigosos em seus contra-ataques.
Mas aos 35 minutos, o zagueiro do Duque Bruno Costa fez falta pela esquerda, sendo expulso. Na sequência do lance, Luiz Fernando cobrou para dentro da área e Augusto cabeceou firme para empatar. O Tigre tinha ainda mais dez minutos, com um jogador a mais em campo, para tentar a virada. Chegou a criar a chance, em mais um cruzamento, mas Betinho, sozinho na área, não saltou o suficiente para o cabeceio – 1 a 1, fim de jogo e novas vaias coloradas ecoando pelo Serra.
Sequência perigosa
O empate em casa com o lanterna, pela 16ª rodada é ainda mais preocupante pela sequência de jogos que o Vila terá pela frente. Encara agora a Portuguesa, fora de casa, o Americana, no Serra, e o Sport, também como visitante, todos os três, times da parte superior da tabela e que lutam pelo acesso à Série A.
Hélio prestes a chutar o balde
Depois do jogo, o técnico colorado Hélio dos Anjos concedeu entrevista de imprensa em que deu claras mostras de que pode deixar o time a qualquer momento. Um pouco controverso, Hélio não tirou a razão do torcedor de chamá-lo de burro. “Ele tem motivos, por que não jogamos nada. Tivemos sorte de ser o Duque de Caxias por que se fosse um time mais levinho teríamos levado 3 ou 4 facilmente”, disse o técnico.
Mas também lamentou. "Não tenho estrutura psicológica para disputar 14ª, 15ª posição de uma Série B. Eu estou insatisfeito, e quanto estou insatisfeito eu não meço consequências. Nada me segura. Nesses 40 dias aqui já recebi proposta para voltar para um time pela sexta vez. Então volto para casa, coloco a cabeça no travesseiro e penso. Não preciso ficar sendo chamado de burro”, afirmou.
O técnico, que disse ainda ser do Vila Nova, refutou qualquer contato do Atlético-GO e disse preocupado com a sequência que o time terá pela frente. “Se fosse o Americana aqui hoje tinhamos perdido feio”, calcula. “Saí sufocado do último jogo por que fizemos uma partida belíssima e empatamos. Agora saio sufocado por que não jogamos nada. Uma gangorra assim não é ideal para nenhum técnico”, disse.
Hélio ainda mostrou contrariedade diante de uma perda interna, da comissão técnica. "Ontem (segunda-feira) saí do clube completamente arrasado com a perda do André (Araújo, fisiologista), contratado pelo Goiás. Um belo profissional, da casa. Mas hoje, o clima estava bem, isso até tomarmos o primeiro gol e desestabilizar. E eu não posso deixar um gol aos 3 minutos desestabilizar os outros 90 minutos”, disse o técnico.
Ficha Técnica
Vila Nova 1 x 1 Duque de Caxias
1 VILA NOVA: Michel Alves; Victor Ferraz, Augusto, Éder Lima e Jorge Henrique; Adilson, Jairo, Ricardinho (Betinho), Luiz Fernando e Paulo César; Roni (Wando). Técnico: Hélio dos Anjos
1 DUQUE DE CAXIAS: Marcelo Carné; Léo, Bruno Costa, Santiago e Paulo Rodrigues; Julio César, Thiaguinho, Tony e Edu Pina; Galvão e Jhon.Técnico: Paulo Campos
Local: Estádio Serra Dourada. Árbitro: Manoel Nunes Lopo Garrido (BA). Assistentes: Elicarlos Franco de Oliveira (BA) e Dijalma Silva Ferreira Júnior (BA). Cartão Vermelho: Bruno Costa. Público: 5.334 pagantes. Renda: R$31 mil.