Jairo Macedo
O vexame protagonizado pela seleção brasileira na Copa América não teve tanto tempo assim de ser ruminado por Mano Menezes e Cia. Isso porque, dias depois, o criticado técnico já teve que anunciar seus convocados para enfrentar a Alemanha em amistoso. O resultado não veio de novo: os alemães bateram a Seleção por 3 a 2, em excelente partida de Schweinsteiger, Kroos e Götze.
O amistoso em Stuttgart valeu a tradição de oito campeonatos mundiais. Valeu também, se não a demissão de Mano, ao menos uma imagem ainda mais abalada diante da torcida brasileira. O Brasil começou mal, equilibrou a partida, mas mostrou que não tem uma equipe completa, com formação específica e forma bem pensada de atuar. Os alemães, pelo contrário, têm isso desde a Copa e, por isso, levaram a melhor.
Começo difícil
Os alemães começaram com o controle completo da partida. De posse da bola todo o tempo, a equipe explorava as pontas do gramado, especialmente pelo lado esquerdo. Naquela região, Daniel Alves não conseguia acompanhar o ritmo dos adversários. A história é parecida com o que aconteceu na Copa América da Argentina: desgastado depois de toda a temporada européia, o tão elogiado “melhor lateral do mundo” não desempenhou o mesmo futebol que apresenta no Barcelona.
Logo aos 5 minutos, Götze recebeu bom lançamento na área, matou bonito no peito e fez o corte em cima de Thiago Silva. Com o zagueiro no chão, bateu forte de esquerda para uma ótima defesa de Júlio César. Em seguida, os alemães seguiram tocando bem a bola, em um futebol envolvente muito semelhante ao presentado na Copa do Mundo.
As primeiras investidas brasileiras aconteceram com André Santos e Neymar, ambos pela esquerda. André chegou à linha de fundo e centrou para Neymar, mas a zaga do Alemanha chegou antes. Em seguida, foi a vez do próprio Neymar alcançar o fundo e buscar Robinho na área, mas o jogador não alcançou a bola alta do companheiro.
Aos 37 minutos, Kroos bateu uma perigosa falta na entrada da área. Com o pé direito, buscou o ângulo do gol brasileiro. A bola passou rente à trave e foi embora. A falta foi marcada por Fernandinho, meia que, perdido na partida, fazia faltas desnecessárias.
Um novo chute de longe, aos 43, levou perigo ao goleiro Júlio César. Em resposta, Neymar recebeu de Daniel Alves na área e bateu cruzado, para fora.
Segunda etapa
Mano Menezes optou por não trazer alterações na volta do intervalo. A atitude no segundo tempo, de qualquer forma, foi mais agressiva por parte da seleção. Ramires roubou bola e proporcionou um ótimo contra-ataque no primeiro minuto. O volante jogou com Fernandinho, que acionou Alexandre Pato em disparada. O atacante, cara a cara com o goleiro Neuer, tentou um toque leve de cobertura. A jogada de efeito levantou a torcida, mas a bola saiu para a linha de fundo.
Júlio César bateu roupa aos 7 minutos, depois de Lahm arriscar de fora da área. Felizmente, não havia jogadores adversários na área do Brasil.
Pênalti
Kroos e Götze, sempre eles, tramaram jogada na entrada da área. Kroos investiu em cima do zagueiro Lucio e caiu no momento do drible. Lance polêmico no amistoso. O capitão brasileiro chegou a tocar a perna do meia alemão, mas não pareceu ser o bastante para derrubar o jogador, que já foi no lance dobrando a perna. Schweinsteiger, que não tem nada com isso, cobrou a penalidade aos 14 minutos e abriu o placar.
Não demorou muito para os alemães ampliarem. Depois de bela triangulação, Götze recebeu já driblando Júlio César e botando no fundo da rede.
Novo pênalti
Meio que para recompensar, o árbitro marcou pênalti em Daniel Alves. Tão polêmico quanto o anterior, o pênalti foi bem batido por Robinho.
Amplia e diminui
Um jogo eletrizante se formava em Stuttgart. O empate poderia ter vindo, mas André Santos tratou de estragá-la. O lateral recebeu na área brasileira e, sem qualquer necessidade, demorou para se livrar da bola. Os alemães, sempre ligados, tomaram do brasileiro e a encontraram Schürrle livre, que escolheu o ângulo direito para fazer o terceiro da Alemanha.
Já aos 47 minutos, Neymar chegou na esquerda da área e bateu de perna direita, surpreendendo o goleiro Neuer. O 3 a 2 estava estabelecido. Menos mal, claro. O vexame brasileiro, vislumbrado pelo torcedor quando a partida estava em 3 a 1, acabou não acontecendo. Uma atuação razoável dos comandados de Mano Menezes em um dos testes mais difíceis que enfrentaram até aqui.
Ficha Técnica
3 ALEMANHA: Neuer, Trasch, Hummels, Badstuber e Lahm; Schweinsteiger(Simon Rolfes), Kroos, Götze (Cacau), Thomas Müller e Podolski (Klose); Mário Gomez (Schürrle). Técnico: Joachim Low
2 BRASIL: Julio Cesar, Daniel Alves, Lucio, Thiago Silva e André Santos (Luiz Gustavo); Ralf, Ramires e Fernandinho (Paulo H. Ganso); Neymar, Robinho (Renato Augusto) e Pato. Técnico: Mano Menezes.
Local: Mercedes Benz Arena, em Stuttgart (Alemanha). Data e hora: 15h45. Árbitro: Viktor Kassai (HUN). Gols: Schweinsteiger (14’ do 1º tempo), Gotze (21' do 2º), Robinho (26' do 2º), Schürrle (36' do 2º) e Neymar (46' do 2º).