Aline Mil
Música, teatro, circo, poesia, grafite, cinema e por aí vai. Com extensa programação, a 2ª Revirada Cultural de Goiânia tem como principal proposta incluir, na rotina do goianiense, os mais diferentes tipos de abordagens culturais, divertindo as pessoas e desconstruindo conceitos. A partir dessa quinta-feira (11/8) e pelos próximos 65 dias, as principais esquinas e parques de Goiânia receberão uma média de 20 ações diárias, a maioria com entrada gratuita e algumas com ingressos a preços populares.
Para Carlos Brandão, diretor do Centro Cultural Goiânia Ouro e produtor geral da Revirada, a programação do evento está mais madura que a do ano passado, quando o projeto estreou nas ruas da cidade. "A primeira edição teve 1.500 atividades. Acabamos fechando as atrações em um espaço de tempo curto e tivemos que desmarcar muitas. Nessa segunda Revirada, nós já temos 2.300 atividades bem amarradas e pretendemos chegar a 2.500", explica ele.
A Revirada é um projeto inspirado na Virada Cultural de São Paulo, que traz diversos eventos aos quatro cantos da capital paulista durante 24h ininterruptas. O projeto goianiense é realizado pela Prefeitura de Goiânia, através da Secretaria Municipal de Cultura com o trabalho de diversos produtores da cidade, e custou cerca de R$2 milhões aos cofres municipais.
Reação do público
No leque de atrações do evento, Brandão não sabe por onde começar quando é preciso destacar uma ou outra ação. “É muita coisa!”, brada o produtor. Pincelando as principais, três se destacam por ter envolvimento direto com a reação do público e a rotina do vai e vem nas avenidas da capital. A primeira é a ação Achei um livro, que já é promovida há alguns meses em Goiânia e é feita ao redor do mundo. Livros serão deixados em cantos movimentados, como em orelhões, para que as pessoas possam exercitar a leitura e, ao final da diversão, devolver a obra em outro canto da cidade. A segunda ação é intitulada Mais que pisada, com cartazes poéticos que serão colados no chão das avenidas. Já a terceira é a Literatura no eixo, com versos, contos e anedotas sendo declamados por atores profissionais dentro dos ônibus do Eixo Anhanguera.
Assim como em 2010, 90% das atividades previstas serão realizadas ao ar livre, em calçadas, parques, praças e até ônibus da cidade. "Desde o ano passado nós optamos por não fazer a Revirada em teatros. Fora a programação que já estava prevista nos locais fechados e que acoplamos à Revirada, como no Goiânia Ouro, tudo será na rua", diz o produtor. E o que esperar da reação das pessoas? “O melhor possível. No ano passado, foi divertido ver como algumas pessoas se envolvem, interagindo ou observando. Ao mesmo tempo que tem gente que só passa reto e nem repara. Queremos, nesse ano, chamar a atenção de todos”, pontua Brandão.
Contendo Arte
"O termo inglês container, conhecido em português como contêiner ou contentor, se refere a um equipamento utilizado para transportar carga em navios e trens." A definição de contêiner na famigerada Wikipedia é correta, mas não faz jus à quantidade de possibilidades que a artivista Lydia Himmen, da Plus Galeria, enxerga nessas unidades de carga. Para ela, que é coordenadora do projeto "Contendo Arte", os contêiners são excelentes galerias para transportar a arte de dezenas de talentos.
De 14/9 a 14/10, as instalações poderão ser apreciadas nos parques Vaca Brava, Flamboyant e na Praça do Bandeirante, no cruzamento entre as Avenidas Anhanguera e Goiás. As galerias “encaixotadas” receberão intervenção de grafiteiros “de responsa” do lado de fora – como os paulistas Nick Alive e NEM – e, no interior dos contêiners, estarão as obras de artistas que aplicam seu trabalho em objetos anteriormente descartados. Segundo Lydia, essa reutilização é uma das propostas da arte ultra-contemporânea. “O que antes era tido como lixo, agora é totalmente reinventado por esses artistas. E são obras lindas, que mostram a importância de reutilizar a dar outra conotação ao objeto descartado”, diz ela.
Durante os finais de semana, serão oferecidas oficinas gratuitas dentro das galerias. Além das aulas, o Contendo Arte, em parceria com a Faculdade de Artes Visuais da UFG, receberá monitoramente diário. “Muitas vezes, por falta de educação artística, nosso olhar não está acostumado a enxergar a arte. Por isso vamos oferecer a orientação em cada contêiner”. Toda a exposição será registrada em diversas plataformas e publicada online, possivelmente em tempo real. “Temos toda a tecnologia literalmente em mãos. Há motivos para não espalhar arte na rede?,” indaga Lydia.
Confira aqui toda a programação da 2ª Revirada Cultural de Goiânia