Londres – O Brasil encerra a sua participação na Paralimpíada de Londres festejando uma audaciosa meta cumprida, mas com grande preocupação. O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, admite que, se o país evoluiu e subiu duas posições em relação aos Jogos de Pequim – terminou no planejado sétimo lugar -, os líderes na competição por ouros, pratas e bronzes progrediram bem mais do que o esperado, o que obrigará a entidade a rever suas perspectivas, pois talvez não seja possível pensar em quinto lugar no quadro de medalhas daqui quatro anos, no Rio de Janeiro.
O Brasil chegou à 21 medalhas de ouro, 14 de prata e 8 de bronze – 43 ao todo. À frente ficaram a líder China (95 ouros, 71 pratas e 65 bronzes) seguida de Rússia (36/38/28), Grã-Bretanha (34/43/43), Ucrânia (32/24/28), Austrália (32/23/30) e Estados Unidos (31/29/38). Parsons revelou que, internamente, a expectativa era de conquistar entre 18 e 21 medalhas de ouro, o que aconteceu na conta justa. A somatória total, no entanto, foi inferior à de Pequim/2008, quando o Brasil conquistou 47 medalhas.
O dirigente lamentou algumas chances de pódio perdidas por contusão e os problemas dos revezamentos do atletismo, que foram desclassificados. A China, segundo Parsons, surpreendeu pelo progresso em relação aos Jogos de 2008 e algumas medalhas da Austrália estavam fora dos planos porque sua maior estrela, a nadadora Jacqueline Freney, foi reclassificada em Londres para outra categoria (S8 para S7) e, contra adversárias com maior grau de deficiência, conquistou oito ouros. Foi a única a superar o brasileiro Daniel Dias, que ganhou seis. "Não fossem esses fatores teríamos brigado com eles (australianos) pelo sexto lugar".
Assim, Parsons trocou o discurso confiante no futuro por um mais cauteloso para 2016, mas ainda não admite imediatamente que vai diminuir as expectativas. "Podemos fazer a avaliação e chegar a uma previsão de quarto lugar". Para 2016 haverá reforço no trabalho em alguns esportes que oferecem muitas medalhas, como o halterofilismo, e tentativa de intercâmbios, além da criação dos centros de excelência espalhados pelo País.
Sucesso
Os organizadores da Paralimpíada comemoraram o sucesso do evento que teve arenas lotadas em quase todos os eventos, cidade envolvida e 521 recordes mundiais. "Os Jogos voltaram para casa e o público britânico entendeu isso", ressaltou o presidente do Comitê Organizador dos Jogos (Locog), Sebastian Coe. O dirigente deixou um conselho para o presidente do Locog brasileiro, Carlos Arthur Nuzman. "É preciso entender o porquê do que você está fazendo, não só no que diz respeito à administração pois, se você cria uma visão antecipada, ela é importante. Mantenha as comunicações e o restante é trabalhar duro. É um pouco parecido com a rotina de atleta, na qual você precisa ralar dia após dia. Saiba quem são seus amigos, construa grandes equipes e o resto virá na sequência". (Agência Estado)