Logo

Desemprego em baixa eleva taxas na sessão, mas curva perde inclinação na semana

28.11.2025 - 18:53:00
WhatsAppFacebookLinkedInX

Os juros futuros negociados na B3 terminaram o pregão desta sexta-feira, 28, em alta, dia em que dados domésticos de desemprego abaixo do esperado foram o principal condutor dos negócios.

Após a divulgação, na abertura, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, as taxas curtas e intermediárias chegaram a registrar máximas intradia. O levantamento, embora não tenha mudado as apostas para cortes da Selic, mostrou recuo adicional da desocupação em outubro, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho segue resiliente. Segundo Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital, a curva a termo segue apontando cerca de 73% de chance de redução de 0,25 ponto da Selic em janeiro.

Também houve ascensão da curva de títulos americanos na sessão, que operaram em horário reduzido na volta do feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, celebrado ontem. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,537% no ajuste anterior a 13,59%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 12,71% no ajuste precedente para 12,74%. O DI para janeiro de 2031 oscilou a 12,990%, vindo de 12,996% no ajuste.

A taxa de desemprego no País caiu de 5,6% no trimestre móvel terminado em setembro para 5,4% em igual medida de outubro – piso das estimativas do Projeções Broadcast,sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, e novo recorde histórico de baixa da série do IBGE, iniciada em 2012. Segundo cálculos com ajuste sazonal do ASA, a desocupação ficou estável na margem, em 5,8%. Para o economista Leonardo Costa, os números reforçam que o mercado de trabalho continua em níveis muito apertados, mas há sinais incipientes de moderação, como a terceira queda consecutiva da população ocupada, também na série dessazonalizada.

Estrategista da Toro Investimentos, João Freitas ressalva que a sessão mais curta nos EUA retirou liquidez dos mercados de renda fixa locais. Feita essa ponderação, Freitas avalia que não só a Pnad mais forte que o previsto, mas também uma correção em relação ao otimismo observado nas últimas duas semanas explica a alta dos DIs nesta sexta.

“O mercado voltou a apostar em corte de juros pelo Fed em dezembro, o que abre caminho para o BC ceder aqui também, por aliviar o câmbio”, explica. Já por aqui, a despeito do desemprego nas mínimas históricas, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de outubro frustrou as expectativas, ao indicar geração de 85 mil vagas formais, acrescenta. “A atividade está desacelerando e isso reforça o movimento de antecipação dos cortes, assim como o mercado externo.”

No cômputo semanal, apesar da alta dos juros futuros de hoje e de falas avaliadas como duras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento na quinta, a curva futura teve deslocamento para baixo, com perda de inclinação. Em relação a níveis de fechamento da sexta-feira anterior, a taxa projetada para janeiro de 2027 cedeu 2,5 pontos-base, enquanto os DIs para janeiro de 2029 e do primeiro mês de 2031 caíram 12,5 pontos-base e 19,5 pontos-base, respectivamente.

“Os dados divulgados, assim como o comportamento dos Treasuries na semana, contribuíram para o movimento”, aponta a equipe econômica do Santander, destacando o IPCA-15 de novembro e o Caged. “No geral, vemos um cenário de atividade econômica compatível com uma perda gradual de ritmo ao longo do segundo semestre”, afirmam os economistas.

Em novembro, também houve recuo da curva e desinclinação. Ante as taxas de fim de outubro, houve redução de 25,5 pontos-base no DI para janeiro de 2027; de 33,5 pontos-base no DI para janeiro de 2029, e de 37 pontos-base no DI para janeiro de 2031.

“Toda a curva fechou, refletindo a visão de que o BC vai começar a cortar, assim como a redução pelo Fed em dezembro”, diz Freitas, da Toro, para quem nem a Pnad, nem o discurso conservador de Galípolo diminuíram a probabilidade, ainda preponderante, de queda do juro básico em janeiro.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Agência Estado

*

Postagens Relacionadas
Negócios
28.02.2026
Paramount celebra compra da Warner por US$ 110 bi e detalha os planos da fusão

São Paulo – A Paramount Skydance Corporation, em conjunto com a Warner Bros. Discovery, Inc. (WBD), anunciou nesta sexta-feira, 27, a assinatura de um acordo definitivo de fusão, pelo qual adquire a WBD para formar “uma empresa global líder em mídia e entretenimento”. O negócio foi concretizado após a desistência da Netflix. No comunicado, a […]

ECONOMIA E CONSUMO
27.02.2026
Inadimplência: 61% dos goianos negativados devem mais de R$ 1 mil

A Redação Goiânia – Três em cada cinco consumidores goianos negativados têm mais de R$ 1 mil em contas vencidas para acertar com seus credores, um índice que, em termos percentuais, chega a 61,2%. E a maioria deles (22,23%) deve entre R$ 2,5 mil e R$ 7,5 mil, segundo informa a Federação das Câmaras de […]

economia
27.02.2026
Governo derruba alta de imposto para smartphones e eletrônicos

Brasília – Após repercussão negativa no Congresso e nas redes sociais, o governo federal decidiu revogar parte do aumento do imposto de importação sobre produtos eletrônicos e bens de capital anunciado no início do mês. A medida foi aprovada nesta sexta-feira (27/2) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado à Câmara […]

economia
27.02.2026
Contas de luz seguem com bandeira tarifária verde em março

São Luís – Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou nesta sexta-feira (27/2) a manutenção da bandeira tarifária verde no mês de março. Trata-se do terceiro mês consecutivo da bandeira no mesmo patamar, o que significa que não haverá cobrança de custos adicionais na fatura de energia elétrica do consumidor. De acordo com a Aneel, […]

Economia
27.02.2026
Goiás registra superávit de US$ 305 milhões na balança comercial em janeiro de 2026

A Redação Goiânia – O Estado de Goiás registrou um superávit de US$ 305 milhões na balança comercial em janeiro de 2026. O número é resultado de US$ 721 milhões em exportações e US$ 416 milhões em importações. O desempenho mantém o Estado entre os principais protagonistas do comércio exterior brasileiro, ocupando a 9ª posição […]

ECONOMIA
27.02.2026
Economia de Goiás avança acima da média nacional e alcança 1º lugar em indicador

A Redação Goiânia – A economia goiana, que tem acumulado avanços na produção, geração de emprego e investimentos públicos, alcançou a primeira colocação entre os estados brasileiros no Índice de Atividade Econômica (IBCR), divulgado pelo Banco Central na última quarta-feira (25/2). No acumulado de 2025, Goiás obteve alta de 4,4%, o melhor resultado no país, […]

Economia
27.02.2026
Agronegócio goiano conecta produção à sustentabilidade e assegura economia pujante ao Brasil

Ludymila Siqueira Goiânia – Em uma viagem no tempo, quando se falava em passar um fim de semana na roça, era automaticamente lido como se desligar da cidade grande e viver a calmaria da natureza, dos animais, da vida pacata. As músicas estavam somente no rádio. Sinal de celular? Era para poucos. O acesso à […]

Economia
26.02.2026
Goiás lidera crescimento econômico no país em 2025, aponta IBCR

A Redação Goiânia – Goiás encerrou 2025 na liderança do crescimento econômico entre as unidades da federação, segundo análise do Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB), elaborada com base no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBCR). No acumulado do ano, o estado registrou alta de 4,4%, resultado que o colocou […]