Já tem um bom tempo que o Vídeo Music Brasil (VMB) não me empolga. Envelheci e me desconectei da programação usual da MTV no Brasil. Quando estou mudando de canal, ainda dou uma parada maior na emissora que era dedicada a música, mas o que acaba me deixando lá na maioria das vezes não é o que a batiza, mas o humor. Ontem eu estava com alguma expectativa. Me programei para assistir. Ao término, eu nem sei responder o que me motivou.
Acho que foi o anúncio de shows com tempo estendido do Planet Hemp e Racionais MC's – duas bandas que estão no meu rol de favoritas. Só consigo enxergar essa razão. Afinal, sou completamente analfabeto acerca desse novo hip hop nacional que bombou de prêmios ontem, não consigo ver essa graça toda (além da curiosidade antropológica) na Gaby Amarantos e não conheço bulhufas do mundinho hipster MTV. Estou mais por fora que tia em jogo de futebol.
Nem sempre foi assim. Até meados da década passada, eu sabia detalhes de cada clipe que estava na disputa. Me organizava para assistir o evento, torcia para um artista em detrimento de outro, acompanhava os shows com atenção e entusiasmo. A primeira edição do evento capitaneado pela MTV foi em 1995. Assiti Chico Science com Gilberto Gil, Marisa Monte e Planet Hemp tocando e achei tudo aquilo o máximo. Os anos seguintes, o interesse não diminuiu uma vírgula. O primeiro VMB que eu não estava em casa para assistir ao vivo foi o de 2000. No mesmo dia, teria o show da Cássia Eller da turnê Com Você Meu Mundo Ficaria Completo no Teatro Goiânia. Preferi conferir a apresentação local. Decisão acertada. Afinal, a MTV repete a cerimônia várias vezes.
Depois disso, meu interesse foi caindo de forma lenta e gradual. Ontem entendi a razão: os artistas que estão ali para ganhar não me dizem mais nada. Pertencem a outra geração, dialogam com outra galera. Por isso que meu interesse estava no Planet Hemp e Racionais MC's. Pela mesma razão, vi o desconforto de Gal Costa tocando ontem. Ela não estava à vontade na festa que não era para a galera dela. O público agiu de forma respeitosa à inserção de Gal na música eletrônica, mas longe de reagir de forma efusiva como aconteceu nos shows da nova geração do hip hop.
Sou tão deslocado que fiquei até constrangido com as vaias direcionadas ao Restart. Não sinto apreço nenhum pela banda. Mas, pô, os caras ganharam no voto. Abaixa a cabeça aí se seu artista preferido não levou.
O VMB ontem serviu, na verdade, para reiterar aquilo que disse lá no começo do texto: o que me atrai de verdade na MTV hoje é o humor. Todas vez que a trupe de comediantes da emissora, capitaneados pelo gênio Marcelo Adnet, aparecia, boas gargalhadas meus vizinhos ouviam. Inclusive o texto final do Adnet é uma das coisas mais fantásticas que já vi em premiações como essa: cheio de referências, ironia que não perdoou nem o próprio VMB e muito menos a MTV. Perfeito.
Nova geração, aprendi muito bem com Belchior que o novo sempre vem. Podem ficar à vontade. A casa é de vocês. Tomem conta direitinho dessa emissora e do VMB, que já me divertiram bastante. Esse universo não me pertence mais. Preciso arrumar outro canto onde os artistas falem minha língua. Cuidem de tudo aí direitinho. Valeu!