O governador rebobinado Ronaldo Caiado está em lua de mel consigo mesmo. Merece. Amanheceu para seu novo governo de bom humor, mente aberta e mangas arregaçadas. Vai precisar.
Nosso desejo é que dure para sempre este Ronaldo Caiado paz, sorriso e amplidão. Com acerto, ele elege como prioritária a área social, onde estão os verdadeiramente dependentes de um bom governador.
De nossa parte, ficamos muito aliviados em ter um mandatário já experiente no trato da gestão e cada dia mais estadista, como se depreende de suas falas e de seus atos.
Uma boa vantagem que ganhamos todos é que o seu governo, como ele declarou na primeira entrevista depois de reeleito, começa agora mesmo, sem esperar a posse, com as tratativas e medidas concretas necessárias para decolar mais cedo que o esperado de um governo de transição.
No entanto, nesta hora adiantada cabe a ele olhar para algumas pedras na formação da equipe de seu novo governo e se orientar para alguns reparos que se fazem necessários para a longa estrada que se inicia. Na cultura, por exemplo.
É sabido que uma das áreas em que seu 1º governo deixou a desejar foi a da cultura. Para ela foram nomeados 4 secretários, entre eles, o mais longevo caso de interinato e dublê de secretariado, que durou longos 15 meses. E o Centro Cultural Oscar Niemeyer, inexplicavelmente, foi parar na Secretaria do Turismo.
Edições dos editais do Fundo Cultural e da Lei Goyazes, previstas em leis, não foram executadas (2019 e 2020 ficaram sem, sendo que em 2021 foi lançado apenas um de R$ 2 milhões, dos cerca de R$ 40 milhões esperados pela vinculação do Fundo Cultural).
A Lei Goyazes, depois de paralisada no 1º e 2º ano do atual governo, foi retomada neste último ano com uma Instrução Normativa publicada de surpresa, sem qualquer consulta à classe, permitindo que seus recursos sejam utilizados pelo próprio Governo, numa concorrência desleal, para produzir os mega eventos de Natal, Carnaval, Reveillon e espetáculos à sua escolha, como o que custou R$ 1.799.531,85, (pagos com verba direta do Fundo Cultural) com o título autoexplicativo: “Pecados Musicais” (enquanto áreas ficaram totalmente abandonadas -alô Artes Visuais e Literatura- e festivais tradicionais inteiros foram realizados de maneira simplista contando com apenas 1/3 deste valor, se muito).
Em resumo, a Cultura do governador Ronaldo Caiado deixou a desejar e está carente. Não atraiu os agentes, não renovou abordagens, não agregou territorial e conceitualmente o Estado e não se interiorizou para se universalizar. A esperança em que ele próprio acreditou passou longe de se tornar realidade.
As boas intenções demonstradas com a recriação da Secretaria específica e a nomeação do então 1º secretário, alguém do setor cultural, devem ser retomadas agora, espera-se, para indicar que teremos uma ótima gestão, quiçá, apresentando alguns avanços.
Após 4 tentativas, o setor merece uma nomeação consequente, que dê frutos para a cultura e dividendos para o governador que, muito possível e justificadamente, para além da boa pinta, quer ser destaque nacional.
*Px Silveira é produtor cultural