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Prédio da antiga Alego vai para o TCM?

03.11.2022 - 20:15:11
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Prometida para a cultura, a antiga sede da Assembleia Legislativa Estadual foi votada para encaminhamento ao Tribunal de Contas do Município. Fazemos aqui três perguntas (quatro, com a do título) para ajudar a entender e refletir sobre a questão.
 
Presente que se toma de volta? Vislumbrando o seu centenário e recentemente entrada em seus anos 90 (89 anos e 11 dias), a cidade de Goiânia bem que merecia por parte de seus agentes públicos uma melhor compreensão dos seus pontos vitais e uma valorização do que lhe dá vigor e diferencial -e do que oferece condições de bem-viver a seus habitantes.
 
O prédio da antiga sede da Assembleia Legislativa Estadual no Bosque dos Buritis é um destes pontos nevrálgicos que a cidade tem. A sua nova destinação, prometida para o setor cultural, pode ser uma enorme oportunidade para reoxigenar a cidadania goianiense, por meio das suas expressões artísticas e culturais.
 
O prédio é indissociável da natureza que o circunda, mata nativa originária. Aliado à cultura ele há de compor um cartão postal da cidade que pode fomentar a autoestima e a sensibilidade de novas gerações –e inclusive incrementar fortemente o turismo. É só deixar ele cumprir com a sua vocação cultural, qual o leito da nascente de água que saindo dali chega ao mar. Não enxergar estas potencialidades e dar ouvidos às demandas coorporativas que deslocam parte da burocracia pública para este mesmo local, é dar a ela uma visibilidade de que ela não carece, é não entender a cidade e as demandas de seus cidadãos. É aderir ao atraso.
 
De quem é a responsabilidade? A responsabilidade pela decisão do prédio ser retirado da cultura, conforme havia sido prometido, foi chamada para o colo do presidente da Assembleia, em uma atitude corajosa, porque lhe será extremamente desgastante.
 
Mas na verdade, bem sabe o deputado presidente que a responsabilidade não é só dele. O itinerário da perda do prédio pela cultura foi muito bem engenhada e ela se dilui entre os agentes do Tribunal de Contas do Município, que ganha o local, da Câmara dos Vereadores, que ganha o prédio a ser deixado pelo Tribunal, e da Prefeitura de Goiânia, que perde juntamente com a população, mas aceita o resultado.
 
Ao lado da população, a Prefeitura deveria ser a principal interessada em que o local passe a ter uma ocupação cultural. Essa batalha deve ser dos artistas, dos produtores culturais e do sr. Prefeito.
 
O que fazer? O setor cultural goianiense de há muito espera pelo cumprimento deste desejo muito natural de que o prédio no Bosque dos Buritis seja finalmente uma sede cultural.
 
Contrariados em nossas expectativas, esperamos ao menos igualdade de condições nesta disputa pelo espaço, visto que os que podem decidir a questão estão com faca e queijo na mão. Assim, justifica-se a proposta de que seja feita uma consulta à população, compreendendo os frequentadores do Bosque, os moradores do entorno e todos que desejam o melhor para Goiânia.

*Px Silveira é produtor cultural

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por Px Silveira

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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