Goiânia – Hoje fazem 45 anos que o ícone Woody Guthrie nos deixou. Em 3 de outubro de 1967, uma complicação neurológica chamada Doença de Huntington colocou fim na vida do homem que com seu violão peitou o sistema. Você não tem ideia do quanto faz falta alguém com a coragem e o engajamento do cantor de folk nos dias atuais.
Se você não está muito ligado, Guthrie influenciou meio mundo na música norte-americana e mundial. Bob Dylan e Neil Young são os dois exemplos mais ilustres. Empunhando seu violão adesivado com a frase “Essa máquina mata fascistas”, ele cruzou os quatro cantos dos Estados Unidos ao lado dos trabalhadores ferrados pela Grande Depressão de 1929. Tocou em sindicatos, trens e praças. Entendeu o folk e o blues de raiz. Levou sua música para onde tivesse gente disposta a ouvir. Sem frescuras e com um ideal. Nunca se ausentou. Sempre teve posição. Sempre do lado certo: do pobre, do lascado, do fudido.
Dialogou e teve amigos membros do Partido Comunista dos EUA. Sempre andou com simpatizantes. Teve coluna em jornal comunista. Mas nunca se filiou ou foi membro ativo. A disciplina partidária o afastou. Debateu profundamente a eclosão da Segunda Guerra Mundial, questionou o macartismo do escroque do senador Joseph McCarthy, foi um cronista perspicaz da primeira metade do século XX. Para aprender mais da história dos EUA fora do enfoque oficial, as canções compostas por Guthrie são recomendáveis.
Agora, deixe-me fazer uma pergunta para você: olhando para os lados, você percebe alguém no nosso cenário cultural com o estofo e a moral de Woody? Pensando muito, não consigo sequer chegar perto. Alguns citariam Bono Vox, mas falta vivência íntima com as causas ao irlandês – e isso o bardo do violão tinha de sobra. Mano Brown? Talvez esse seja o que chegue mais perto do exemplo daquele que nos deixou há 45 anos.
A real é que o mundo mudou demais e as pessoas atualmente preferem xingar muito no Twitter do que cruzar o país para entender seu próprio povo. Um exemplo é a eleição do próximo domingo em São Paulo. Vejo gente a dar com pau reclamando nas redes sociais do candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Contudo, salvo louváveis exceções, a maioria só quer saber mesmo é de fazer seu protesto inócuo com a Wifi que o papai paga. Ir para o front, pedir voto de indecisos e se mobilizar para a campanha, necas de pitibiriba.
Não tenho dúvidas que o mundo fica bem pior sem gente como Woody Guthrie circulando por aí.