Goiânia – Tenho certeza que você conhece alguém assim, digno leitor de A Redação: gente que acha que é o centro do mundo. Toda frase no vazio é para ela. Toda indireta a acerta em cheio. Todo comentário quer lhe difamar. Essa galera veste qualquer carapuça. Mas qualquer uma mesmo. Quando o cara da televisão faz uma daquelas infames piadas internas para sua equipe de trabalho, o da carapuça já fica indignado: “Ele não pode tratar seu telespectador assim”. E já começa a mobilizar uma campanha na internet, fica com raiva eterna e não perde a oportunidade de falar mal da figura em qualquer rodinha.
As redes sociais são o inferno para gente assim. Qualquer post, curtida ou comentário que ele não entende muito bem é motivo para conjecturas mil. Parece que existe um complô intergaláctico para prejudicar o infeliz. O confuso desse mundo novo das redes sociais não pode ser habitado por quem se acha o centro de tudo. O cara funde a cuca mesmo. Toda frase largada vai encaixar como uma luva nas neuras do infeliz. E, cá entre nós, quanta neura, viu…
Quem é seu amigo e que, por um acaso (Por que não viu direito? Por que não quis parecer oferecido? Por que estava bêbado demais? Por que não o reconheceu com aquele penteado esdrúxulo? Por que não estava na pilha de conversar com ninguém?), não o cumprimente na balada, vira inimigo até o dia em que o Highlander morrer. E gente assim acumula mais inimigos do que moeda de dez centavos em fundo de bolsa de mulher. Muitas vezes, aquele que é odiado nem sabe que o outro nutre esse sentimento por ele. Muitas vezes, aquele que é odiado não está nem aí para isso também. Só quem sofre e acumula ódio e rancor no coração é o paranóico.
Tentar manter uma relação amistosa com o umbigo de ouro do Sistema Solar é ingrato. Para não dizer impossível. Uma hora ou outra o cara vai fazer uma conjectura com algo que você disse ou não disse, fez ou não fez, pensou ou não pensou. E aí será para ele mais cristalino que água de cachoeira de Piri que você está armando uma conspiração. Haja saco para suportar isso.
Leitor, caso você conviva com gente assim, uma dica de brother: relaxe. Mais cedo ou mais tarde, ele vai implicar com você e se tornar seu inimigo. E não há nada a fazer contra isso. Acontece com todo mundo. Nem Madre Tereza de Calcutá conseguiria manter algo mediamente tranquilo. Fazer o quê? E, leitor, caso você seja um desses paranóicos, uma simples pergunta: é sério mesmo que você acha que as pessoas não têm nada mais sério na vida para fazer do que conspirar contra sua pessoa?