Goiânia – Nem me lembro a primeira vez que fui ao teatro. Assim como não me recordo da primeira ida ao cinema, a primeira galeria de arte, a primeira música boa que ouvi ou o primeiro livro que ganhei. O contato com bens culturais era absolutamente casual e rotineiro em minha casa. Não tinha esse ar místico, especial, endeusado. Era comum como ir ao supermercado, estádio ou clube. Algo que eu sabia que rolava não com uma frequência diária, mas ordinária.
Posso falar por experiência própria que esse hábito cultivado desde quando não tenho memória permanece agora depois de velho e barbado. Se é bom ou ruim, depende do seu juízo de valor. Particularmente, prefiro conviver com gente que tem por costume consumir bens culturais. Mas, repito, essa é só uma opinião minha.
Nesse sábado, minha filha mais nova vai pela primeira vez ao teatro. Vamos levá-la para assistir Cocoricó – O Show, que rola em duas sessões às 11h e 15h no Teatro Rio Vermelho do Centro de Convenções. E agradeço a gentileza da Mix, produtora do evento, que me ofereceu a entrada. Não precisava tamanha gentileza. Para essa apresentação, eu pagava ingresso fácil. Tenho certeza que nós, pais, vamos nos divertir tanto quanto a baixinha. Quando o lance é bem feito, agrada a todas gerações. E o Cocoricó é muito bem feito.
Temos alguns DVDs do programa infantil da TV Cultura. A minha música preferida é a que o Júlio, o protagonista da série, toca bongô e cita a banda do Jorge Ben Jor. É divertidíssimo. Junto do Palavra Cantada e da Galinha Pintadinha, o Cocoricó tem alta rotação quando a caçula está pegando fogo e precisamos acalmar os ânimos. Prevejo que ela vai pirar ao ver no palco aquilo que só conhece pela TV. Confesso que estou ansioso por sua reação.
A experiência lúdica do teatro é única. E o grande lance é torná-la casual na vida da criança. Ir ao teatro deve ser uma das opções de diversão dela. Tem gente que reclama do preço de tudo que envolve cultura. Tem casos em que é mesmo salgado, mas na grande maioria das apresentações não é isso que acontece. Gente que acha de boa gastar 500 reais em maquiagem não pode reclamar de ingresso que custa um décimo desse valor. É falta de bom senso. Mas bom senso nos dias de hoje é produto mais escasso que chuva no Saara…
Faça algo que não será só divertido agora, mas poderá mudar de forma indelével a vida de quem você mais ama. Crie o hábito de estar em ambientes culturais. Vá ao teatro. E leve seu filho.