Ouvir músicas boas, como todos nós gostamos de dizer, que fazem bem aos ouvidos e ao coração, relembrar um conjunto musical que marcou nossa geração e nos colocar nesse passado recente que não queremos apagar. Assim nos comportamos e estamos sempre à procura desses musicais que nos insiram nesse mundo mágico que tivemos o privilégio de conhecer e que sempre defendemos, por nos trazer momentos prazerosos.
As pessoas dessa época e seus descendentes próximos pensam dessa forma e se comportam desse jeito.
Duas pessoas que encontrei reafirmaram essa maneira de pensar e agir.
Estava na fila para entrar no espetáculo “Beatles Tribute Show”, da banda Hey Jude, ontem à noite no Teatro Rio Vermelho. À minha frente, um fã, como eu, da banda inglesa The Beatles, e um pouco mais velho, talvez uns 75 anos, dizia do prazer de ouvir as canções desse conjunto, que têm letra e melodia e fazem bem aos ouvidos. Ele próprio, que lida com a música, estava ali para curtir a boa música que produziram em sua curta existência, que persiste até hoje e deve continuar para sempre; estava acompanhado de filhos, que também têm prazer em curtir essa boa música.
Sentada à minha frente, com os pais, uma criança com uns oito/nove anos tentou falar comigo, não entendi o que ela disse pelo barulho naquele momento e confirmei tudo, como se tivesse escutado. A concordância estava nos gestos e nos olhares de ambos. Era como se estivesse conversando com minhas netas, Antonella e Gisella, ambas também apreciadoras dos Beatles. Eles não tocaram uma música em especial, “Day tripper”, que Gisellinha e eu adoramos, mesmo que eu tenha gritado para o conjunto, que se apresentou bem, permitiu-nos essa viagem no tempo e fez aflorar belas lembranças.
Li um artigo de Talyta Vespar, do R7, publicado na internet, e concordei com o que ela escreveu: Hey Jude é uma das bandas cover dos Beatles mais primorosas, fazendo uma releitura de todas as fases dos precursores do rock’n’roll com esse espetáculo que nos apresentou.
Em outro artigo, um detalhe interessante: entre os vários caminhos possíveis para a homenagem, a banda escolheu a fidelidade. Cover de Beatles, o grupo paulistano toca com instrumentos das mesmas marcas e modelos usados pelo quarteto de Liverpool, em um esforço para fazer jus à expectativa de nostalgia dos beatlemaníacos.
A banda paulista Hey Jude é formada por Thiago Gentil (John Lennon) na guitarra, Cesar Kiles (Paul McCartney) no baixo, Thomas Arques (George Harrison) na guitarra e Renato Almeida (Ringo Starr) na bateria. O violonista, tecladista e maestro Anselmo Ubiratan rege uma orquestra de cordas e o naipe de metais, formada por 10 músicos mineiros, contratados para o show, e canta muito bem, apresentando-se no intervalo.
O show é marcado pela fidelidade aos arranjos originais, timbres, vozes, figurinos e até diálogos no palco. “Contamos também com efeitos especiais e projeções para reviver com fidelidade cênica e sonora todas as fases da banda inglesa”, afirmou Thiago Gentil.
Gostei muito do espetáculo – que nos foi indicado pela filha Rossana e ganhamos, Heloisa e eu, os ingressos da filha Mariana – e irei de novo caso reencontre com o grupo ou outro que faça idêntica e prazerosa apresentação.
Repetirei, como a grande maioria dos presentes, o que o show nos proporcionou: momentos para dançar, cantar, gritar e aplaudir esses músicos e as belas canções que nos levaram naquele momento especial.
Jales Naves é jornalista e escritor, integra a Associação Goiana de Imprensa (Inscrição nº 1.088, de 10.11.1968), que presidiu em dois mandatos consecutivos (1985-1991), a Academia de Letras e Artes de Caldas Novas (Cadeira nº 30), o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (Cadeira nº 34) e o Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Cadeira nº 68).
Hey Jude e a bela homenagem aos Beatles
*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG