Ontem foi dia de clássicos do futebol brasileiro. No final do primeiro turno da Série A do Brasileirão, os grandes jogos regionais foram concentrados para aumentar a emoção no final do campeonato, daqui a 19 rodadas. Fora o natural espetáculo da bola, um fato interessante aconteceu nas arquibancadas dos estádios tupiniquins. A mobilização Fora Ricardo Teixeira! saiu do ambiente virtual e ganhou os palcos futebolísticos. Não é a primeira vez que isso acontece, pois uma manifestação visando o mesmo fim havia ocorrido na Avenida Paulista há algum tempo. Mas o fato simbólico é ir para os estádios e mostrar que o futebol brasileiro não tem dono.
Ricardo Texeira é uma figura que merece ser analisada com calma. Ele preside a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde 1989 e está em seu quinto mandato consecutivo. Foi casado com a filha de João Havelange, que também foi presidente da CBD (órgão que antecedeu a CBF) e da Federação Internacional das Associações de Futebol (Fifa). Coordena a organização da Copa do Mundo de 2014 visando uma candidatura à presidência do órgão maior do futebol internacional após o término do evento em território brasileiro. Existem sérias denúncias sobre seu aumento patrimonial e irregularidades em contratos da CBF. Foi feito um lendário Globo Repórter em agosto de 2001 sobre sua gestão frente à entidade. Depois disso, a Rede Globo teve que encarar a oposição ferrenha de Teixeira, com ele mudando horários de jogos da Seleção Brasileira para prejudicar a emissora dos Marinho. Treta de cachorro grande!
A chegada do Fora Ricardo Teixeira! aos estádios mostra que a insatisfação com a presença dele ultrapassou as esferas midiáticas e administrativas dos clubes de futebol, ganhou a torcida. Ontem, um mosaico foi feito pela torcida palmeirense clamando Fora Ricardo Teixeira!. As torcidas do Grêmio e Internacional também levaram sua revolta ao Grenal. Individualmente, torcedores do Corinthians demonstraram sua indignação. Em Minas Gerais, as manifestações foram vergonhosamente proibidas no clássico Atlético-MG e Cruzeiro. Ninguém regula mais a vontade das pessoas mostrarem que não estão satisfeitas.
De minha parte, acho suspeitíssimo alguém ficar tanto tempo no mesmo cargo e com o crescimento patrimonial que ele apresentou. Acho que o futebol brasileiro ganha mais com Ricardo Teixeira fora da jogada. Que seja investigado a fundo e punido por eventuais comprovações de irregularidades. O futebol brasileiro é um bem simbólico da Nação e não pode ter dono. Ele é do povo e demanda gestão transparente, com intuito maior no interesse público.
Por isso que minha voz se junta ao coro que grita Fora Ricardo Teixeira!