Lis Lemos
Na madrugada dessa sexta-feira (2/9), o Hospital de Urgências de Goiânia registrou a primeira captação de órgãos para transplante. Os rins de um paciente do sexo masculino serão implantados ainda hoje em dois pacientes no Hospital Santa Genoveva.
Para o coordenador da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos do Estado (CNCDO), Luciano Leão, "essa captação feita no Hugo é um marco na questão dos transplantes em Goiás". O médico conta que o serviço era realizado pelo Hospital Geral de Goiânia, mas foi paralisado. Agora, as captações voltam pelo Hospital de Urgências, que conseguiu o credenciamento junto ao Ministério da Saúde.
Leão avalia que os hospitais públicos devem estar envolvidos nos transplantes e que essa é uma luta antiga dos médicos. Além do Hugo, apenas a Santa Casa de Misericórdoia e o Hospital Santa Genoveva realizam esse tipo de ação no estado. "Sempre defendemos que os hospitais públicos de grande porte, que possuem entrada de pacientes por trauma, devem estar envolvidos nesse processo", defende.
Além do Hospital, os médicos e demais profissionais envolvidos na captação e transplante de órgãos e tecidos devem passar por uma especialização e também ser credenciados junto ao Ministério. Leão afirma que o credencimaneto do Hugo abre precedentes para que outros hospitais públicos se cadastrem, mas que é necessário ter uma estrutura física adequada e profissionais especializados. "Não é um procedimento simples", alerta.
A captação de órgãos, como a que ocorreu no Hugo, envolve uma equipe de aproximadamente 30 profissionais, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, assistentes sociais, psicólogos que pode variar de acordo com o órgão a ser captado e transplantado. "No caso de transplante de coração, por exemplo, a equipe pode chegar até a 50 pessoas, envolvidas em diversas etapae, que vai desde a abordagem à família até a cirurgia".
Tempo
Após a captação dos órgãos ou tecidos, o tempo para ser transplantado varia. No caso do coração e pulmões, o transplante deve ser feito em até 6 horas. O fígado pode ser tranplantado em até 12 horas e as córneas, em até 13 dias.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, no primeiro semestre de 2011 foram realizados 368 transplantes em Goiás, o que pode sinalizar um aumento de cirurgias desta natureza em 2011, já que em 2010 foram 530 durante todo o ano. O transplante de córnea aparece no topo da lista, com 289 casos, seguidos pelos pelo de rins, 59 e medula óssea, 20. Leão acredita que o serviço disponibilizado pelo Hugo pode ajudar a aumentar essas estatísticas.