Anapaula Castro
Especial para o AR
O que há de novo para dizer sobre Instituto Inhotim que ninguém tenha dito antes? A reação parece ser uma só quando se conhece um dos maiores centros de arte contemporânea da América Latina: visitou, deslumbrou. Por mais que a maioria do público chegue ao complexo com muitas expectativas criadas por visitantes anteriores é impossível não sair maravilhado do local. Antes de seguir lendo, saiba: nada poderá retratar o estado de espírito de Inhotim. A única certeza é a de que a experiência é única.
Encanto
Idéia genial do empresário Bernardo Paz, que era amigo íntimo do paisagista Burle Max, resultou na concepção paisagística de proporções gigantescas na cidade de Brumadinho, a 70km de Belo Horizonte (MG). Inhotim é um mega museu a céu aberto. A visita é indescritível, na acepção mais literal da palavra. O leitor pode até achar que já viu algo parecido antes — um jardim de esculturas e de plantas ornamentais, um museu dentro de um parque — mas, a dimensão do lugar e a relação das obras com o espaço, fazem da visita a Inhotim uma experiência majestosa, mesmo para aqueles que não têm paciência e paixão nata por museus.
É possível arriscar palpitar que a curadoria do complexo busca obras que causem impacto também no público leigo. Nada passa batido. Pelo menos algum dos sentidos do visitante vai ser acionado a tentar entender porque aquilo foi posto lá para contemplar e, muitas vezes, interagir. Outro fator que certamente contribui para não se sofra com uma enxurrada de informações é a existência de um respiro na visita entre uma obra e outra. No caminho entre uma galeria e a próxima, é possível descansar a vista e a cabeça admirando o paisagismo de Inhotim. Dá tempo de refletir, digerir e ficar com vontade de entrar na próxima.
Obras
O visitante se sente em um parque temático de arte contemporânea onde as atrações não são os brinquedos, mas sim galerias de artistas. São inúmeros visitantes do mundo inteiro passeando por lá, como italianos, franceses, americanos, “hermanos” ou até mesmo alemães.
Um dia é pouco para visitar todo o local e, em dois, é possível conferir todas as obras emblemáticas de Inhotim. Destaque para o galpão Cardiff & Miller; para a galeria Adriana Varejão, Cosmococa, Cildo Meireles, Doris Salcedo, Doug Aitken e Matthew Barney e ainda as obras de Chris Burden, Hélio Oitica, Jarbas Lopes e Yayoi Kusama.
O que impressiona no conjunto são as experiências sensoriais. As instalações provocam todos os sentidos. Impossível não se interessar por uma sala com 40 caixas de som de altíssima qualidade que reproduzem um coral masculino de 40 vozes, coro da Catedral de Salisbury, na Inglaterra. O público escuta cada um deles respirando, tossindo e falando antes de começar a cantar. Os visitantes ficam no meio da sala e, quando os coralistas cantam juntos, há a exata sensação de se estar no meio do palco, aonde quer que eles estejam.
Horário e ingresso
O Inhotim abre de terça a sexta das 9h30 às 16h30 e sábado, domingo e feriados das 9h30 às 17h30. O ingresso custa R$ 20. Aceita-se cartões de crédito. Estudante paga meia.
Carrinhos elétricos levam o público às obras mais distantes. Pessoas com dificuldade de locomoção podem usar o serviço gratuitamente (com direito a um acompanhante). Os demais precisam comprar uma pulseira R$ 10 que dá acesso aos carrinhos.
Dicas
O ideal é visitar o Inhotim durante a semana, pernoitando numa pousada da região. Assim você percorre o espaço com calma e menos público. Eu fiquei numa charmosa pousada a Estalagem do Mirante. De lá você pode ainda passar um dia em Ouro Preto ou ir direto para Belo Horizonte, curtir os prazeres da capital.
Onde comer
Há um bistrozinho (o Bar do Ganso), um ótimo restaurante de buffet (Tamboril e Oiticica) e duas lanchonetes em Inhotim. O Café do Teatro é puro charme.
Saiba mais: http://www.inhotim.org.br/