Estava marcado há algumas semanas um protesto em várias cidades brasileiras para o dia de ontem, 7 de setembro, feriado em homenagem à Independência do Brasil. Batizado de Marcha contra a Corrupção, a movimentação queria aproveitar o tom cívico de ontem para cobrar maior lisura das autoridades públicas para com nosso suado dinheirinho. Segundo informações da imprensa, somente a manifestação de Brasília deu volume, onde cerca de 12 mil pessoas se aglomeraram no protesto. Nas demais cidades, a movimentação foi pequena, ganhando apenas registros tímidos na mídia e cumprindo seu papel no campo do simbólico, não tendo ganho peso efetivo nas ruas.
Sou um entusiasta desse tipo de ação. Toda vez que vejo um protesto na rua, me lembro do clássico dos Rolling Stones chamado Street Figting Man. Inspirado pelas manifestações francesas do maio de 1968, no mesmo ano Mick Jagger fez essa letra que marca a luta do jovem pelos seus ideais. Contudo, enquanto vemos o pau literalmente quebrar no Chile, Líbia e mundo afora, essa articulação social no Brasil ainda é movida pelo revolucionário de pijama. Também conhecido como revolucionário do Toddinho, ele é aquele cara que mora com os pais, a família banca sua faculdade, paga sua internet banda larga, paga o Danoninho que ele faz questão de tomar todo dia no café da manhã, mas ele posa de valentão e mostra um pseudo engajamento nas redes sociais. Ali, ele manda. Confirma sua presença nos protestos do Facebook, dá RTs indignados no Twitter, elabora posts virulentos no Orkut. Mas o que ele realmente quer é que a doméstica não faça seu suco de pera com pouco açúcar.
É por isso que existe um descompasso entre a movimentação na internet e o que realmente acontece nas ruas. É de um comodismo gigante ser revolucionário com os pais pagando as contas, incluso aí o baseadinho que ele vira na Praça Universitária e fuma no bosque da UFG. A galera quer saber do oba-oba no mundo virtual. Mas na rua não. A treta na vida real é mais séria. Na rua, o escudo dos pais não funciona como atrás do teclado do seu computador.
Não quero parecer apocalíptico, pois penso que nem tudo está perdido. Pelo contrário. Acredito que estamos, na verdade, melhorando. A indignação cresce, a sociedade se mostra menos tolerante com o mau uso do dinheiro público, a imprensa fiscaliza mais, chegam mais informações nas pessoas, a atuação contra a corrupção da Polícia Federal e do Ministério Público repercute. Esses movimentos são reflexo desse cerco mais vigoroso contra a malandragem. O problema é que, talvez, essa mudança de postura esteja caminhando em passos mais lentos que o desejável.
Acho que a sociedade brasileira só vai realmente mostrar que cansou da balbúrdia quando além de dar RT no Twitter, ir para a rua e mostrar sua cara insatisfeita com a situação. O RT é só a primeira parte do trabalho, ele não se encerra ali. Além disso, a sociedade também precisa parar de ser corrupta no seu próprio dia a dia. Mas esse assunto é longo e é melhor deixá-lo para outro texto.