João Gabriel de Freitas
Uma aplicação de ânimos junto aos jogadores esmeraldinos depois de um primeiro tempo apático foi capaz de mudar a postura da equipe, nesta sexta-feira, em Arapiraca. Contra o ASA (AL), o Goiás conseguiu se impôr na segunda etapa depois de ser dominado nos 45 minutos iniciais, chegou a abrir o placar aos 7 minutos, com Diniz, e esteve perto de deixar a cidade alagoana com mais três pontos. Mas sentiu o ritmo puxado da partida, abriu a guarda e cedeu o empate, aos 36 minutos, em gol de Didira.
“No intervalo eu disse a eles: você vê a cor da sua camisa? Você sabe onde está? Quantos queriam a chance de estar aqui nesse lugar? Então entrem em campo e doem 15 litros de sangue cada um, depois a gente repõe no soro”, contou empolgado, em entrevista coletiva, o estreante técnico do Verdão Ademir Fonseca
O empate não alivia a situação do Periquito nas pretensões de subir à Série A. O time foi a 29 pontos, passou a ocupar provisoriamente a 10ª colocação mas pode perder duas posições, caso BOA e Grêmio Barueri vençam neste sábado. Com os mesmos 29, o ASA segue em 13º. O resultado valeu , pelo que foi demonstrado, por revelar uma equipe mais aguerrida e, como bem salientou Ademir Fonseca, doando “sangue” na etapa final.
O saldo da batalha também não foi dos mais animadores para o Goiás para a próxima rodada, terça-feira, contra o ABC, no Serra Dourada. Em uma partida recheada de sete cartões amarelos e ainda a expulsão de Wellington, o Verdão não poderá contar com os suspensos Toloi, Amaral e o próprio atacante. Preocupa também a situação de Iarley, que sofreu uma torção aos 21 minutos de jogo, com suspeita de fratura no tornozelo. O ala esquerdo Andrezinho também deixou o campo contundido e é dúvida: ao menos cinco baixas significativas no plantel.
“Parecia o vestígio de uma batalha aqui hoje no vestiário”, alegou o técnico depois do jogo. O treinador demonstrou, pelo menos quanto à questão motivacional, a sua pegada. “Não adianta nada a gente fazer o que fizemos aqui hoje, lutar, guerrear, para depois não fazermos o dever de casa. Nós temos que ser inteligentes ao jogar fora e matar em casa. O Serra Dourada tem que ser um alçapão e precisamos criar esta estrutura com o grupo. Série B é pegada. Nós temos que sentar o pau nos caras e também temos que jogar”, disse Ademir. “Ninguém é obrigado a jogar futebol e o cara tem que ter prazer de estar aqui, senão ele está no lugar errado”.
Reviravolta
A empolgação de Ademir se justifica pela reviravolta de comportamento da equipe em campo. No primeiro tempo, sentiu a pressão do ASA, sendo acuado em seu campo de defesa. O time alagoano criava as jogadas principalmente pelos pés de seu camisa 10, Raul, que levou perigo aos 5 minutos, ao limpar o lance, mas trombar com Francismar na finalização.
Aos 16, o meia experimentou chute de fora da área. A bola ainda quicou antes da defesa de Harlei. O goleiro esmeraldino ainda teve que trabalhar bem em pelo menos mais três lances, enquanto Gilson, do outro lado do campo, praticamente não foi ameaçado.
Apesar de contar com a defesa bem postada, o meio de campo e as alas precisavam aparecer no segundo tempo. No ataque, Felipe Amorim praticamente seguiu toda a partida apagado. Aos poucos, com o novo início de jogo, Diniz se mostrou mais presente e Douglas o por quê de ser um dos principais jogadores desse elenco, incisivo e buscando o jogo tanto na ala direita quanto esquerda.
Gol esmeraldino
A Wellington, que substituiu Iarley, coube o belo lançamento para Diniz, dentro da área, aos 7 minutos. O meia, com a canhota, cortou Fabinho e finalizou de primeira com a perna direita, superando o goleiro Gilson- 1 a 0. Nos 15 minutos seguintes, o Goiás inverteu os papéis e massacrava a defesa do ASA, sobretudo com Douglas. Os jogo também tornou-se mais violento, com entradas duras de Marcinho Guerreiro, Amaral, Toloi, além de butinadas alagoanas.
Empate
Nos minutos finais, com as duas equipes dando mostras de esgotamento, os espaços foram se criando. Ao ASA coube o melhor aproveitamento. Aos 36 minutos, Niel arrancou pela lateral direita e chutou direto para o gol. Harlei ainda rebateu, mas Didira estava dentro da área para completar – 1 a 1.
Adiantando a marcação desde o ataque, Welligton tomou dois cartões praticamente idênticos e foi expulso, tornando a situação esmeraldina ainda mais tensa nos minutos finais. O Goiás ainda contou, aos 48 minutos, com falta frontal, recebida por Alan Bahia. O próprio Bahia cobrou com perigo, mas pela linha de fundo. Não havia tempo para mais nada.
Ficha técnica
1 ASA: Gilson; Toninho, Emerson (Reinaldo Alagoano) e Thiago Alves; Sérgio Bueno (Niel), Fabinho Romão, Dindira, Raul (Vitinha), Francismar e Chiquinho Baiano; Alexsandro. Técnico: Vica
1 GOIÁS: Harlei; Douglas, Rafael Toloi, Ernando e Andrezinho (Oziel); Amaral, Carlos Alberto (Marcinho Guerreiro), Alan Bahia e Diniz; Felipe Amorim e Iarley (Wellington). Técnico: Ademir Fonseca
Local: Estádio Coaracy da Matta, em Arapiraca (AL). Árbitro: Gledson Santos Oliveira (BA). Assistentes: Adson Márcio Lopes (BA) e José Oliveira dos Santos (BA). Cartões amarelos: Goiás – Rafael Toloi, Carlos Alberto, Amaral, Marcinho Guerreiro e Wellington. ASA – Chiquinho Baiano e Vitinha. Cartão vermelho: Wellington. Gols: Diniz, aos 7 minutos do segundo tempo, e Didira, aos 36.
Melhores momentos
Primeiro tempo
5 minutos – Raul recebe em velocidade pela direita, na entrada da área, finta Ernando mas embola-se com Francismar na conclusão do lance.
16 minutos – Nova jogada de Raul, o camisa 10 do ASA, de fora da área, a bola ainda quicou na frente de Harlei, que defendeu em dois tempos.
17 minutos – Raul corta Alan Bahia na entrada da área pela esquerda e é derrubado. Raul cobra fraco, para defesa do goleiro esmeraldino.
19 minutos – Chute de fora da área de Didira, por cima do gol de Harlei
23 minutos – Substituição. Iarley se contunde e dá lugar a Wellington
32 minutos – Amarelo. Didira faz finta sobre Toloi próximo à área e é derrubado. O zagueiro esmeraldino recebe o primeiro cartão da noite.
33 minutos – Francismar cobra e Harlei faz bela defesa.
Segundo tempo
1 minuto – Douglas corta para dentro e finaliza de canhota, para fora.
6 minutos – Lançamento de Diniz, pela esquerda, para Douglas. O ala passou liso por Toninho mas parou em Gilson na finalização.
7 minutos – Gol! Diniz recebe pela esquerda de Wellington, corta Fabinho com a canhota e finaliza com a perna destra no canto do gol de Gilson – 1 a 0.
14 minutos – Falta perigosa pela esquerda.
18 minutos – Substituição. Oziel entra na vaga de Andrezinho, contundido.
22 minutos – Cruzamento na área. Wellington recua e a bola sobra de novo para Diniz, que chuta mascado. A bola quica e exige boa defesa de Gilson.
29 minutos – Cruzamento rasteiro na área do Goiás pela esquerda. A zaga não afasta e na segunda Alexsandro, livre, enche o pé na saída de Harlei. Por cima do gol.
36 minutos – Gol! Niel arranca pela direita e chuta cruzado, Harlei rebate e Didira aproveita rebote, para as redes – 1 a 1.
41 minutos – Wellington é expulso no Goiás.
48 minutos – Falta em Alan Bahia, frontal ao gol de Gilson. O próprio Alan Bahia cobra bem, mas pela linha de fundo.