Jairo Macedo
O Boa Esporte jogou, com o perdão do péssimo trocadilho, numa boa nessa tarde de sábado no Serra Dourada. O time mineiro veio a Goiânia enfrentar o Vila Nova e saiu com uma boa – lá vai o trocadilho novamente – vitória por 2 a 1. Diante de pouco mais de 4 mil torcedores, o Tigre sofreu o vexame de completar cinco partidas sem vitória. Mais que isso, perdeu a oportunidade de sair da zona de rebaixamento, na qual foi jogado em função dos resultados dos jogos de sexta-feira.
Agora a equipe comandada por Artur Neto ocupa a 17ª colocação na tabela, com 24 pontos. Só não perde mais uma posição porque tem uma vitória a mais que o São Caetano. O resultado, conseguido na primeira etapa, serviu muito bem ao time mineiro. O Boa Esporte, de inexpressiva torcida e zero de história no futebol, faz uma campanha surpreendente, ocupando a 7ª posição e ficando a cinco pontos do G-4.
Ao Vila Nova, resta viajar para Santa Catarina e, lá, buscar dias melhores contra o Criciúma na terça-feira. Nessa partida, Artur Neto já deixou claro que o atacante Roni volta a campo após duas rodadas fora. Visto pelo jogo de hoje, Roni não estava tão errado ao afirmar que não é somente sobre ele que deve cai o peso da má campanha vilanovense.
Começo ruim
A partida no Serra Dourada não poderia ter começado pior para o Vila Nova. O atacante Jheimy, talvez o melhor jogador da partida, proporcionou a primeira oportunidade para o Boa Esporte ao cruzar na área colorada. Michel Alves interceptou, mas, na bola rebatida, o zagueiro Augusto quase marcou contra. Aos 12 minutos, foi a vez de Carlos Magno tabelar com Carlos César. O lateral-direito bateu forte e obrigou Michel Alves a trabalhar outra vez.
Boa sai na frente
Os mineiros abriram o placar aos 15 minutos com Jheimy. O atacante aproveitou cruzamento pela direita de Moisés e, de peixinho, cabeceou para o fundo do gol colorado. Aos 21 minutos, Jheimy, de novo ele, atravessou tranquilamente a zaga colorada pela esquerda, puxou a bola para trás e centrou para Paulo César. Livre, o lateral do Boa Esporte pôde escolher o canto em que fuzilaria o gol vilanovense. Optou pelo canto direito do goleiro e marcou o segundo de sua equipe.
A zaga colorada, especialmente na figura de Augusto, falhava constantemente. Também os dois volantes, Jairo e Vitor Rossini, não ajudaram em nada a composição do sistema defensivo. A escalação de Rossini, há quatro meses lesionado, parece ter sido precipitada por parte de Artur Neto.
O meio campo mineiro, dessa forma, tocava a bola no Serra Dourada com inacreditável tranqüilidade. No ataque, somente dos momentos de perigo. David, em um primeiro momento, cobrou uma falta perigosa, mas o goleiro Luiz Fernando estava nela.
David diminui
Em outra ocasião, já aos 44 minutos da primeira etapa, o meia colorado chegou ao gol. Davi Ceará brigou pela bola, trombou com a zaga mineira e terminou, quase sem querer, armando um passe para o companheiro. David então pegou de primeira e levou a bola quase ao ângulo da meta do Boa Esporte. No melhor estilo “bate escanteio e corre para cabecear”, David era a única figura na equipe colorada que fazia uma atuação convincente.
O Vila Nova, sob vaias e protestos – uma faixa nas arquibancadas descrevia como “seis anos de fracasso” a gestão da diretoria atual -, foi para o vestiário com o peso de uma possível quarta derrota como mandante nessa Série B.
Segunda etapa
Na volta do intervalo, uma nova formação e nova postura. Bergson saiu para a entrada de Wando, enquanto Ricardinho ocupou a vaga de Vitor Rossini. O Vila Nova passou a ter o domínio total de posse de bola, naquele popular “jogo de um time só”, mas sem resultados concretos.
Até os 28 minutos, nenhuma chance real de gol. Foi quando Leandro Cearense recebeu de Ricardinho na entrada da área, fez o giro e bateu por cima do gol. Quatro minutos depois, David cobrou escanteio e, por pouco, não marcou um gol olímpico. O goleiro Luiz Fernando defendeu mais uma.
À essa altura, nova alteração: Artur Neto achou por bem sacar o meia Davi Ceará para a estréia de Jô, garoto recém-chegado do Internacional que fez a sua estréia. O atacante, porém, não conseguiu imprimir a velocidade que seus 21 anos prometiam. Em um último lance, já nos acréscimos, o goleiro Michel Alves subiu ao ataque e deu o tom de desespero em que se encontrava a equipe colorada. De nada adiantou. O cabeceio na área não veio e, em seguida, o árbitro Fábio Filipus encerrou mais uma partida decepcionante do Vila Nova em pleno Serra Dourada.
Ficha Técnica
1 Vila Nova: Michel Alves; Luizinho, Augusto, BenHur e Marquinhos; Jairo, Vitor Rossini (Ricardinho), David e Davi Ceará (Jô); Bergson (Wando) e Leandro Cearense. Técnico: Artur Neto
2 Boa Esporte: Luiz Fernando; Carlos César, Thiago Carvalho (Marcelinho), Carciano e Marinho Donizete; Claudinei, Moisés (Higo), Carlos Magno e Jean Cléber; Jheimy e Ramón (Waldson). Técnico: Nedo Xavier
Local: estádio Serra Dourada, em Goiânia (GO). Árbitro: Fábio Filipus (PR). Assistentes: José Carlos Dias Passos (PR) e Amílton Pontarolo (PR). Gols: Jheimy (15' do 1º tempo), Carlso César (21' do 1º tempo), David (44 do 1º tempo). Cartões amarelos: Wando e Higo. Público: 4.085 pagantes. Renda: R$ 27.923.