Catherine Moraes
Já pensou em engolir uma câmera? A ideia não é absurda, apesar de parecer. Com apenas quatro gramas, a ‘Cápsula Endoscópica’ percorre o sistema digestivo, em no máximo 10 horas. A microcâmera, criada em Israel, tem o formato de um comprimido e consegue chegar até mesmo ao intestino delgado, área antes desconhecida pela medicina.
A tecnologia foi criada na década de 90 e é considerada relativamente nova. A cápsula está tornando mais rápidos e precisos os tratamentos de problemas graves no sistema digestivo. Com ela, é possível detectar lesões com maior nitidez, como câncer, anomalias vasculares, obstruções, pólipos, doença inflamatória do intestino (doença de Crohn) e úlceras.
Nada de dor ou sedação, é preciso apenas um copo d’água para que a incrível viagem tenha início. Entre oito e dez horas ela já foi eliminada pelas fezes. Durante o percurso, cerca de 50 mil fotografias são registradas e as imagens são transmitidas em tempo real sem necessidade de dezenas de fios. A transmissão acontece por radiofrequência, e o material é arquivado em um gravador, que se encontra ajustado ao abdômen através de um cinto.
“Ainda que o exame seja caro, a disponibilidade do sistema aumentou muito. Assim como o custo já diminuiu em relação ao primeiro lançamento. A diminuição do custo permitiu a aquisição do sistema por vários grupos no Brasil, mas esperamos que a entrada do procedimento na lista da Agência Nacional de Saúde (ANS) aumente ainda mais o acesso dos pacientes ao exame”, afirma o gastroenterologista Marcelo de Souza Cury, Pós-Doutor em Endoscopia Avançada pela Escola de Medicina de Harvard, dos Estados Unidos, onde também é pesquisador do Hospital Beth Israel Medical Center.
De acordo com Marcelo, que também é diretor da clínica Scope, de Campo Grande (MS), o custo do exame para um paciente custa hoje no Brasil entre R$ 2.500 e R$ 3.500. Ele afirma que no exterior, entretanto, este é um procedimento de rotina nos grandes centros internacionais, coberto inclusive pelos sistemas de saúde, e ressalta que a tecnologia usada é idêntica.
Riscos reduzidos
Os riscos são poucos e existem apenas para pacientes com estreitamento do aparelho digestivo, é o que garante o gastroenterologista Décio Iandoli Junior, doutor em cirurgia pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) e professor da Faculdade de Medicina da Uniderp. Ele afirma que, em casos raros, foi necessário retirar a cápsula por cirurgia.
Recomendações
Para que o exame seja realizado não há necessidade de internação do paciente. O jejum é de oito horas antes do exame e, duas horas após a ingestão da cápsula o paciente pode se alimentar normalmente. As atividades diárias também podem acontecer, com moderação, claro.