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Os maus hábitos que acabam com a gente

13.09.2011 - 10:52:05
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Toda vez que alguém me diz que precisa comer melhor, parar de fumar, de beber ou voltar a praticar exercícios, um sorriso sarcástico surge em meu rosto. Só que instantes depois o superego baixa e esse sorriso desaparece de forma constrangida, dando vez a uma face acolhedora e compreensiva desse momento no qual o ser humano tenta ser alguém melhor. A verdade é que sabemos exatamente tudo (ou quase tudo) para vivermos bem, de forma saudável e por longos anos, tal qual um comercial de margarina com pão quente e manhãs de domingo sem ressaca. A receita está em nossas mãos. Se não a seguimos, o problema é outro.

 

Parece que o que é realmente é bom é o que faz mal. E gostamos disso mesmo com toda a razão nos pesando a cabeça. Não queremos admitir, mas o fato é que o ser humano age muitas vezes como animal, ignorando qualquer construção calcada na racionalidade, cultura ou tradição (elementos intrinsecamente humanos). Por exemplo, mesmo com todas as informações disponíveis sobre sexo seguro e os riscos das DST, continuamos a transar sem preservativo com pessoas que, muitas vezes, acabamos de conhecer. Mesmo com toda a convicção em um ser divino que nos encaminhará ao inferno e queimará nossas almas em chamas fedendo enxofre por meramente pensar sexo fora do casamento ou com pessoas comprometidas, continuamos a olhar a mulher do próximo com desejo exalando de cada poro. E deixa ela dar mole para você ver onde isso acaba…

 

A real é que somos muito mais movidos pelos nossos genes que nos impelem ao prazer e ao desejo de preservação da espécie do que pela razão e construções culturais. Por exemplo, 99,2% da população vai escolher por uma picanha sangrando ao invés de um brócolis grelhado pelo simples motivo de que nossos antepassados foram geneticamente selecionados para dar preferência por comidas mais calóricas. Quem comia carne gordurosa tinha a sensação de saciedade por mais tempo do que quem comia brócolis, é claro. Logo, se expunha menos ao risco que era sair da caverna e recolher comida. O que mudou é que antes tínhamos um esforço descomunal para matar o animal e conseguir essa picanha, o que nos levava a fazer um monte de exercícios para ter o pedaço de carne em mãos. Hoje, basta ir ao supermercado e passar no cartão de crédito. E dá-lhe sedentarismo.

 

Se não nos entendermos como animais, não vamos nos entender como seres humanos. A razão está aí justamente para conter esses ímpetos sexuais, gastronômicos e sedentários, para que possamos estar por aí nesse mundo por mais anos com uma melhor qualidade de vida. Mesmo sabendo que o bom é quando faz mal, podemos deixar esse bom só para os finais de semana. Assim, talvez consigamos saciar nosso corpo dessa vontade de ter mais saúde e nossa cabeça dessa vontade de ter mais prazer.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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