O que falar de um show do Paul McCartney? Que o cara esbanja
simpatia, você já está careca de saber. Que são quase 40 músicas em quase três
horas de som também não é novidade alguma. Que é emocionante ouvir aquelas
músicas que fazem parte de sua vida cantadas em coro uníssono por mais de 40
mil pessoas é mais que óbvio. Mas é importante demais pelo aspecto simbólico
que repetir se faz necessário: foi uma noite sensacional a de ontem no Serra
Dourada. Com louva-a-deus e tudo. Perfeito.
Vai ter gente que reclamará da entrada no estádio. De fato,
as filas estavam zoneadas e faltava uma organização para separar as pessoas do final.
Mais informações seriam necessárias. Pode ter quem reclame do atraso.
Realmente, não é da tradição das apresentações de Paul o desrespeito ao
horário. Mas a passagem de som atrasou, o que acarretou na demora para a abertura
dos portões e o conseguinte enrolar para o início dos primeiros acordes de Eight Days a Week. O trânsito da saída
estava daquele jeito: lotado e caótico. Não tinha como ser diferente quando
juntamos aquele contingente gigantesco no mesmo espaço. Na paciência, todos
seguiram para casa.Todos esses pontos são sim passíveis de crítica, mas não
diminuem em nada o brilhantismo desse 6 de maio histórico.
A nuvem de louva-a-deus que fechou o palco foi o tempero goiano
na apresentação. Parece que todos os insetos de Goiânia combinaram de ir ao show e
pegaram ingresso mais vip que o Premium. Era engraçado ver os músicos lutando
contra os seres voadores. Velho nesse métier, Paul tirou onda e apresentou o
bichinho como seu amigo na manga da camisa. Coisa de quem domina a arte de estar
cara a cara com o público. Ponto para ele.
Por falar em arte de dominar o público, Paul é imbatível
nesse quesito. Ele transpira simpatia. Com a força daquele repertório, ele não
precisava fazer nada para ganhar a plateia. Já sai com o jogo ganho. Mas não é
assim que ele se porta. O cara faz o dever de casa, aprende expressões locais,
fala o idioma pátrio para melhorar a comunicação.
O mais divertido do show ser em Goiânia, nossa casa, foi
compartilhar aquele momento com amigos de longa data que todos encontramos ao
acaso na plateia, com os parentes queridos, com as pessoas amadas. Isso não tem preço.
Para
terminar, impossível não dizer: and in
the end, the love you take is equal to the love you make. Paul, muito
obrigado por tudo!