Se você fuma ou está pensando em entrar nessa, pense bem. Além de todas as complicações que irá produzir para sua saúde, que por si só justificariam abandonar essas idéias definitivamente, há um aspecto financeiro importante. Eu mesmo fumei durante alguns anos e parei faz uns 14. Mas por esses dias, por conta dos reajustes nos impostos e preços do cigarro, resolvi fazer algumas simulações. Numa média de um maço por dia, você gastaria por ano entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Levanto em conta que as pessoas que fumam o fazem por um prazo ao redor de 40 anos, não é difícil fazer a conta e descobrir que um fumante queima, literalmente, algo como R$ 60 mil ao longo da vida.
Esse valor, claro, não considera a correção do juro, caso o dinheiro estivesse numa aplicação. Então, vamos considerar essa correção e teremos, juros sobre juros, menos impostos e alguns deslizes de cálculos, uma importância seguramente de cerca de R$ 150 mil. Antes que os mais perspicazes façam as contas e escrevam aqui abaixo que a conta está errada para cima ou para baixo, informo que o objetivo não era exatamente a precisão da conta, tanto porque a vida não é precisa, nem um mero cálculo matemático.
O que se deduz é que ao não fumar dá para chegar no fim da vida com uma boa casa na praia ou no campo, ou um super carro de luxo, ou dinheiro para fazer alguns roteiros turísticos sem precisar olhar quanto foi que a nossa Previdência depositou na conta.
Por si só os argumentos são bons o suficiente para evitar que a pessoa caia na tentação.
Outro dado importante: no tempo em que a gente entrou nesse negócio de fumar, por moda e para ficar mais charmoso, havia uma propaganda forte que vinculava desempenho atlético ao cigarro, o sucesso era expresso por fumaça e cinzas, assim como as grandes paixões. Tudo mentira. O cigarro, claro, nunca proporcionou nada disso. Mas havia um ambiente de contracultura, de protesto e o cigarro combinava à beça com tudo aquilo. Hoje a ciência e as taxas de mortalidade despejam todos os dias em nossas caras os males do cigarro. As estatísticas indicam que fumar está por fora, que faz você perder vida útil a reduzir suas expectativas de chegar a uma idade avançada e poder desfrutar dela.
Por isso as propagandas foram abolidas, por isso o maço de cigarro custa cada vez mais. Se são argumentos frágeis, não fume por amor. Por amor à sua família, mulher, marido, filhos, por amor a você, que é a coisa mais importante para você mesmo. Pelo menos eu penso assim, hoje, e me sinto plenamente arrependido pelos anos que perdi me achando James Dean.
Se tudo isso é pouco, pense nos gastos públicos da saúde todos os anos, no prejuízo que um fumante proporciona para os que o cercam, no quão pode ser desagradável fumar perto das pessoas ou nas calçadas. Outro dia conversei com um publicitário muito importante e não darei o nome aqui porque não o consultei. Ele me disse algo que me levou a escrever esse artigo. “O cigarro é algo indefensável”. Uma frase simples, mas direta e que exprime o que realmente esse produto proporciona.
Para os que gostam de números, aí vão alguns deles: segundo a Organização Mundial da Saúde, por ano morrem 7,9 milhões de pessoas por câncer, muitos dos quais causados pelo tabaco. No Brasil por ano o cigarro eleva os diagnósticos da doença em 30 mil novos casos. Apesar disso, um terço da população mundial adulta, ou 1,1 bilhão de pessoas, continua fumando. Se você faz parte desse universo, faça um esforço pessoal para reduzir as estatísticas e mudar o curso de uma história cujo fim todo mundo conhece.