Está aquecido o debate sobre a possibilidade de conceder o
direito de porte de armas de fogo para a Guarda Municipal de Goiânia. O
Executivo entrou em campo e mostra interesse nessa mudança. A proposta já foi
aprovada em primeira votação na Câmara Municipal e deve ser submetida ao
segundo pleito ainda essa semana. Parece que a sociedade está meio alheia ao
tema, não se preocupando muito com o caminho que estamos pegando. Deixo minha
pergunta: será que é realmente necessário concedermos armas de fogo à Guarda
Municipal?
Como princípio de vida maior, almejo que nossa polícia
atinja um padrão inglês. Ou seja, que trabalhe desarmada nas rondas rotineiras
e que não seja preciso armas para garantir a tranquilidade da sociedade e do
próprio trabalhador da segurança pública.
Na Inglaterra, somente 5% de toda
força policial tem o direito de portar armas de fogo. Os policiais preferem
trabalhar assim. Pesquisa interna da corporação indica que 82% da tropa não
gostaria de trabalhar armada. A população se divide: 48% aprova a polícia
desarmada e 47% condena. É claro que os índices propiciam um clima onde o
policial tenha possibilidade de exercer sua função sem carregar uma pistola na
cintura. Entre 2010 e 2011, foram registradas somente 10 mortes violentas por
armas de fogo.
Sei do caráter ingênuo, sonhador e utópico disso quando
pensamos no Brasil. Estamos a milhas e milhas e milhas dos índices de violência
da ilha da rainha. Mas confesso que tenho sérias dúvidas se realmente
precisamos botar armas nas mãos da Guarda Municipal de Goiânia para melhorarmos
nossa segurança.
É preciso lembrar que essa não é a primeira função da Guarda
Municipal. Isso cabe à Secretaria de Segurança Pública. Compete à Guarda
Municipal o zelo dos equipamentos públicos municipais e auxiliar na segurança
de toda população. Acredito que para exercer tal papel, o Taser (aquela pistola
que dá um choque elétrico que imobiliza a vítima e não é letal) é suficiente.
Esse equipamento já é usado pelo nossa guarda. Inclusive, esse é justamente o equipamento
que acompanha a polícia inglesa em seu cotidiano.
Os índices de violência no Brasil não param de crescer,
mesmo com a melhoria na distribuição de renda e maior acesso ao consumo por
grande parte da população. Tudo bem que as desigualdades ainda são enormes, mas
já apresentamos índices um pouquinho melhores. Logo, já era para ter ao menos
estagnado os números da violência. Não é isso o que acontece. A questão da
segurança pública é bem mais complexa e exigirá mais empenho para nos tornarmos
decentes nesse quesito. E realmente não sei se com mais armas nas ruas
conseguiremos isso.