Goiânia teve ontem, infelizmente, mais uma vítima fatal por conta da tal saidinha do banco. Uma diarista de 51 anos, com poucos mais de 1,5 mil reais na bolsinha humilde, levou um tiro na cabeça por conta desse valor. Ela havia sacado a grana poucos minutos antes, na Avenida Jamel Cecílio, uma das vias mais movimentadas de Goiânia. Seu corpo sem vida, escorado em uma Pampa, não tombou ao chão e chamou a atenção pela tristeza da composição da imagem. Mais uma pessoa que engrossa nossa vergonhosa estatística de latrocínios em Goiânia.
Nesse cenário caótico que vivemos na capital, não podemos dar sopa para o azar. Andar com dinheiro em espécie em mãos é, nesse contexto violento, correr um risco desnecessário. O grande lance é fazer uso extenso das possibilidades virtuais de transações financeiras, evitando ficar exposto às saidinhas. Não quero aqui colocar a culpa na vítima pelo ocorrido, não se trata disso. O Estado vem sendo ineficaz no combate a essa prática criminosa que mata de forma cruel em Goiânia. Contudo, se pudermos colaborar para que não sejamos presas fáceis, é também nosso dever fazer o que nos cabe.
Uma vez, eu precisava fazer um pagamento mais vultoso de uma dívida e o cara queria porque queria receber em grana viva. Falei que era perigoso, que era um risco pegar esse valor em um banco e circular pelas ruas, que não valia à pena. Mas o cara estava com uma dívida grande no banco e temia que o valor ficasse retido na conta por causa disso. Por isso, insistia que não queria resolver por transferência e sim com dinheiro na mão. Quando percebi que ele estava intransigente e não iria recuar, disse: “Beleza! Vamos nós dois ao banco, eu saco a grana no caixa e você já fica com a quantia. A partir daí, é por sua conta e risco”. Foi só eu dizer isso que ele recuou e aceitou o pagamento por meio de transferência eletrônica.
Por mais necessário que seja estar com o dinheiro na mão, vale refletir sobre o risco que se corre. E todas as medidas propostas na tentativa de coibir essa prática são tímidas de resultado. Proibir o uso de celular em banco? Como se não existisse SMS… Chamar a polícia para acompanhar o saque? Como se ela pudesse ficar com você por 24 horas… Proibir os vendedores ao redor das agências? Como se não existissem motos e esse não fosse o modus operandi dos criminosos… Ou seja, até agora tudo o que foi tentado ainda é insuficiente para que o problema seja resolvido.
O recomendável é mesmo andar só com 10 reaizinhos no bolso e resolver as grandes contas com os serviços de transferência oferecidos pelo banco. É preciso ter claro que seremos roubados de um jeito ou de outro: seja pela instituição financeira ou pelo bandido de moto. Já que é assim, é melhor que o banco seja o algoz, já que ele não usa arma de fogo e não atira na sua cabeça. Ainda, pelo menos…