Todo mundo se lembra do quão terrível foi o incêndio da boate Kiss em Santa Maria (RS). E todo mundo se lembra também do quão “responsáveis” foram nossas autoridades logo após a tragédia: tocaram o terror para cima de empresários que tentavam cumprir com sua parte e eram sordidamente coagidos pela ação do “Estado Violência”, tal qual magistralmente descreveram os Titãs no lendário álbum Cabeça Dinossauro.
Agora chegou a hora de tirar a limpo quem é quem. Quem quer manter a ordem e quem quer criar a desordem.
Na segunda-feira, por iniciativa do vereador Virmondes Cruvinel Filho, teremos uma audiência pública para debater as casas noturnas de Goiânia. Será na Câmara Municipal, às 16 horas. Nem precisa dizer que é presença obrigatória para todo mundo que se interessa pelo assunto.
Como meu amigo Daniel de Mello diz, um dos melhores DJs da cidade, é importante para os pais saberem que tipo de ambiente o filho está frequentando, é importante para o filho saber a segurança do lugar que ele está indo, é importante para o empresário para saber a seriedade dos órgãos públicos acerca do seu nicho de atuação, é importante para o setor público para entender a realidade do empreendedor da noite. Todos ganham com o debate. E assim que é bom.
Pois o que vimos logo após o lamentável episódio da Kiss não foi nada bom. Uma verdadeira caça às bruxas se instalou em Goiânia. Sem critérios, foram disseminando o terror a torto e a direito.
Baixando, fazendo sensacionalismo e constrangendo gente que colabora para a economia, cultura, lazer, turismo e entretenimento de nossa cidade. Gente que quer fazer sua parte e, se não faz, é justamente por conta da morosidade monstruosa desse bicho chamado Estado.
O que não podemos aceitar é o autoritarismo do Estado por conta da ineficiência, veja só você, do próprio Estado.
É inadmissível que pessoas sérias, comprometidas, engajadas em um projeto importante para Goiânia tenham que baixar as portas por sabe-se lá quanto tempo porque o Estado não consegue cumprir sua parte: entregar aquilo que lhe é dever no prazo acertado.
Ninguém pode ser punido pelo Estado quando o Estado não faz sua parte. Sejamos razoáveis, por favor.
Segunda-feira é o dia de colocar as cartas na mesa. Estarão presentes os órgãos envolvidos na rotina das casas noturnas.
Corpo de Bombeiros, Amma, Vigilância Sanitária, Fiscalização Urbana e Planejamento estarão à mesa para ouvir os empreendedores da noite e para dizer aquilo que a lei coloca.
Um momento único de diálogo entre as partes que, no final das contas, só querem o melhor para Goiânia: opções de cultura para os cidadãos com toda segurança possível.
É imprescindível a participação de todos que tenham algum tipo de contato com esse universo. Eu estarei lá. Será que verei você por lá?