Lis Lemos
O piso é da Espanha. Os lustres vieram da Suíça e o jogo de cadeiras é italiano. Pode parecer a decoração de um hotel de luxo, mas é apenas o hall de entrada da nova ala do Hospital Santa Mônica. Com um conceito de "alto conforto", o hospital passa a oferecer aos pacientes leitos que incluem cama alemã, televisão de plasma com canais a cabo, frigobar e ar condicionado. Ao entrar no Hospital, você pode até pensar que está em um hotel. Porém, as enfermeiras de uniforme branco e alguns equipamentos que só são vistos em clínicas e hospitais o fazem lembrar que ali estão internadas pessoas doentes e não gente em busca de descanso.
O diretor-presidente do hospital, o médico Haikal Helou, garante que esse tipo de atendimento não é novidade em grandes centros urbanos, mas que é o primeiro a oferecer instalações de luxo em Goiânia. Helou percebe que os hospitais de grande porte da cidade ainda têm receio em fazer um investimento como esse, mas que todos "têm muita curiosidade". " Querem ver se vai dar certo", brinca.
O hospital continua oferecendo o tratamento convencional, com enfermarias e apartamentos simples. Ao todo, são 96 leitos, sendo 21 de alto conforto. O novo prédio é um anexo do centro de saúde. No setor de luxo, os quartos mais baratos saem por R$ 350.00, para quem tem planos de saúde. O quarto oferece uma cama alemã, com várias opções de regulagem de altura, que garantem maior conforto ao paciente. É equipado com televisão de plasma, frigobar e ar condicionado, além de um banheiro de grandes proporções, em comparação aos comuns. Embora possuam tantos superlativos, os quartos obedecem a rígida legislação médica.
No segundo andar do novo prédio fica a segunda categoria de quartos de alto conforto. São leitos mais caros, que oferecem comodidade também ao acompanhante do paciente. Para quem precisa acompanhar um parente próximo ou amigo em uma jornada médica, o Hospital possui um leito reservado com os mesmos instrumentos que os oferecidos ao enfermo. Helou afirma que essa é uma tentativa de "isolar o lado social do lado patológico da doença". Não ter que participar dos incômodos efeitos colaterais do tratamento médico é uma das vantagens do quarto reservado.
Mas a grande atração do empreendimento é a suíte master. O nome não é por acaso. O espaço reservado ao acompanhante, que poder ser mais de um, inclui sofá, mesa de centro, televisão e mesa com lugares suficientes para uma reunião familiar ou de negócios. Entre a sala e o quarto do paciente há um vão com geladeira e pia. O quarto tem vista para uma fonte. Não fosse pela cama alemã de hospital, a vontade é de passar um fim de semana de descanso no apartamento.
A nova ala do hospital já está há um ano em funcionamento. Até o momento, apenas uma pessoa ficou internada na suíte master. Helou conta que o movimento é volátil. É comum períodos em que os leitos estão cheios, mas também passa por momentos de retração. Nos quartos do segundo andar, o diretor afirma que costumam ficar uma média de dois pacientes por vez. Porém, caso os demais leitos comuns estejam lotados e uma pessoa precise se internar no Hospital, é oferecido a ela o local de alto conforto, sem nenhum custo, com a expectativa de que assim que haja vaga na ala simples, o paciente vá para lá. "Até hoje nenhum paciente quis voltar depois de ficar nas suítes de alto conforto", revela Helou.
Alimentação
Quando se pensa em hospital, além do cheiro, o pensamento recai logo sobre a comida servida. Comida de hospital está entre as piores refeições que alguém pode fazer. Para contornar isso, o Hospital Santa Mônica contratou uma chef para cuidar da alimentação dos pacientes.
Nada de produtos industrializados. Alimentos orgânicos preparados com toques gourmets fazem parte do cotidiano de Chris Isaac, responsável pela cozinha. Obedecendo as regras de pouco sal e gordura, a chef promete oferecer aos enfermos uma alimentação saborosa, que nem de longe lembra a sopinha branca e rala dos hospitais públicos. As sopinhas podem variar entre os sabores de abóbora kabutiá com carne, frango desfiado com milho, entre outras opções. "Damos um toque gourmet na comida para pessoas que estão debilitadas", defende a chef.
As comidas preparadas são simples, nada de muito elaborado, a menos que esse seja o desejo do paciente. Aqueles que estão internados no "alto conforto" têm direito a um cardápio especial. "Quem está internado, com dor, com medo de morrer, quer conforto, nem que seja alimentar. Quer comida de casa", acredita Helou. Chris Issac segue esse pensamento.
O filme de animação Ratatouille, em que um crítico de cozinha se rende aos encantos da comida caseira que lhe traz lembranças da infância, é o exemplo citado por Chris para se referir ao seu trabalho no hospital. "É uma comida gostosa com tempero de casa", defende.