Costumo dizer que o grau de sedução que uma pessoa exerce sobre mim varia conforme o corte de cabelo: quanto mais estranho for o penteado, maior a chance de que a tal me encante. Relaciono isso ao superego. Se a pessoa conseguiu quebrar essa imposição social sobre como usar o próprio cabelo, naturalmente já rompeu a barreira de diversos outros fatores do superego o que, é claro, a deixa mais interessante. Digo sempre que minha situação é tão drástica que nem tenho mais supergo, mas sim um superID. Ou seja, meu estado animal vai além do que as mentes convencionais possam sequer imaginar. Tenha medo, meu amigo, tenha medo…
Só que tudo nessa vida tem limite. Por exemplo, acho que vai muito além do razoável ir para o shopping de madrugada vestido de bruxinho para ver o Harry Potter. E todo lançamento de outro filme dessa série é a mesma coisa – graças ao bom Deus esse agora é o último desse estorvo. Aquele tanto de nego velho, vestido da forma mais esdrúxula possível (olha só quem está falando…) para ver um filme de temática infantil. Se fosse criança, seria bonitinho. Como o cara é adulto, é meio retardado. É muita vergonha alheia. E, olha, não é que eu seja conservador, mas sou de um tempo em que os únicos filmes que motivavam a gente a ficar acordado de madrugada eram os da Sexta Sexy na Bandeirantes…
Outro tipo de gente esquisita que, no meu conceito, ultrapassa o limite é o fã. Sou fã de muita gente. Mas fã mesmo. Talvez até desses que não fazem muito uso do tal do bom senso. Tenho alguns dos meus ídolos tatuados para nunca me esquecer deles. Mas isso para mim, é óbvio, ainda vai. O problema é aquele tipo que fica histérico, obssessivo e compulsivo com a pessoa que admira. Acho que o limite de tietagem quando se encontra alguém cujo trabalho você admira é pedir um autógrafo, falar que curte o que ele faz e cair fora. Tirar foto é só se você sentir muita firmeza de que não vai incomodar, mas já não é sempre que rola. Agora, chorar, espernear, entrar em hotel, colecionar latinha de cerveja que a pessoa bebeu, cá entre nós, é um pouco demais, não?
Acho que tudo tem a idade certa. Já andei fantasiado na rua quando era criança, já fui fã adolescente de ser o primeiro a chegar no Jaó para ver minha banda do coração colado na grade. Mas, como eu disse, tudo na idade certa. Se bem que acho que não corroboro muito essa tese não. Acho que fiquei senil antes da hora. Pois vai ser ranzinza assim lá longe, viu…