Lis Lemos
Campina Grande – A festa acontece no Parque do Povo, um espaço de 42 mil metros quadrados, onde se ouve forró em qualquer lugar que se vá. Enquanto os arredores do Parque estão tipicamente enfeitados e uma confusão de carros, pessoas e flanelinhas tomam conta das ruas, o restante da cidade parece alheio ao que se passa ali.
Fiquei hospedada numa república de estudantes, perto da UFCG. Ali, não havia qualquer menção do “Maior São João do Mundo”. Sim, ele acontecia, mas bem distante para aquelas pessoas. Era uma festa como outra qualquer.
Chegamos ao Parque do Povo no começo da noite. A minha primeira impressão é que estava dentro de um Parque Agropecuário qualquer, guardadas as devidas diferenças. Claro que lá não havia bois, vacas e outros animais, nem o sertanejo imperava, mas a estrutura era bastante parecida.
Um palco principal, por onde já havia passado Elba Ramalho, Dominguinhos e onde ainda se apresentarão Zé Ramalho e Genival Lacerda é a atração principal da festa. Embora o secretário de Cultura do Estado da Paraíba, Chico César, tenha priorizado os artistas regionais, não foi bem assim.
Como cheguei em João Pessoa na sexta de manhã, pretendia já pegar a estrada para Campina Grande no mesmo dia. Mas qual não foi a surpresa quando descobri que o show principal da sexta era Leo Magalhães. Nada contra o cantor, mas sertanejo já escuto em Goiás.
Dentro do Parque há outros vários espaços para se divertir como quiser. A pirâmide “Jackson do Pandeiro” tem shows específicos de forró, mas tem fama de “risca-faca” e fui desaconselhada a dançar ali.
Para quem quer dançar em lugares mais tranquilos a dica são as ilhas de forró, que são pequenos espaços com grupos tocando ao vivo e muita gente dançando. A composição “Pisa na Fulô” de João do Valle ilustra bem o clima do evento. Tem gente de todas as idades, de ambos os sexos dançando forró o tempo todo.
Os ranchos onde são vendidas as comidas são uma atração, ou suplício, à parte. Conseguir uma mesa e ser atendido é um exercício de paciência. Mas vale a pena. Carne de sol, macaxeira frita, purê de macaxeira, rubacão e uma infinidade de delícias gastronômicas dão um sabor especial à festa. Alguns restaurantes têm mais de 50 anos de existência.
Os patrocinadores definem o que se vai beber na festa, então as marcas Schin e 51 são as únicas opções, sendo proibida a comercialização de qualquer outra coisa.
Nas barracas de comida rápida é um pouco diferente. Quitutes como pamonha, bolo de macaxeira, tapioca não estão entre as iguarias oferecidas. Cachorro-quente, pastel e batata frita são
unanimidade. Nada muito diferente do que se encontra em alguma festa agropecuária.
A competição de forró, denominada Forró Fest, que foi a atração de sábado, terminou às 3 da manhã. Quando fui embora, cerca de uma hora depois, a movimentação ainda era grande dentro
do Parque. A experiência de estar dentro de uma festa famosa foi empolgante, mas o que se vê na televisão é bastante diferente do que se vive na realidade.
João Pessoa
A capital da Paraíba tem uma festa bem mais modesta que Campina Grande, mas ainda assim a diversão é garantida. O clima de São João está em toda parte. Se no Natal as pessoas enfeitam as
casas com luzes, em junho, as bandeirolas tomam conta da cidade.
As comemorações organizadas pela prefeitura vão até o dia 29, dia de São Pedro e contaram com shows de Alceu Valença, Gilberto Gil e diversos grupos de cultura popular. O encerramento fica
por conta de Genival Lacerda.