José Cácio Júnior
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nesta terça-feira (5/7), lista das 90 faculdades de Direito que tiveram aprovação zero no Exame da Ordem realizado em dezembro do ano passado. Três instituiÇões goianas estão na lista e podem ser fechadas. Dos 106.81 bacharéis inscritos, 88,27% acabaram reprovados. Apenas 12.534 candidatos foram aprovados, segundo a OAB.
As três faculdades goianas que não tiveram alunos aprovados no Exame da Ordem foram: Faculdade Evangélica de Goianésia — que consta cadastrada como Faculdade Betel de Goianésia —, Faculdade de Caldas Novas (Unicaldas) e Faculdade Raízes de Anápolis. Os diretores ouvidos pela reportagem reclamam que o método utilizado pela OAB para aplicar a prova não é o adequado.
O presidente da OAB Goiás, Henrique Tibúrcio, contesta a tese de que o método do exame é o "grande vilão das faculdades". Tibúrcio cita dados de exames anteriores e acredita que o resultado da prova é reflexo da qualidade do ensino das faculdades. "As 20 melhores universidades públicas aprovam entre 70% e 90% dos candidatos no Exame da Ordem, enquanto que as 20 piores universidades públicas conseguem aprovar entre 40% e 70% dos seus alunos no exame. Nas faculdades privadas o índice de aprovação é de 40% e 70% entre as 20 melhores e entre 3% e 5% entre as 20 piores. "É nítida a relação entre a qualidade de ensino e o nível de aprovação."
Tibúrcio explica que o Conselho Federal da OAB, por meio do presidente da OAB Brasil, Ophir Cavalcante, encaminhará ofício ao Ministério da Educação (MEC), pedindo que as faculdades sejam colocadas em regime de supervisão. Dependendo do caso, pode ser pedido o fechamento do curso.
Segundo o diretor da faculdade Raízes Jessé Alves de Almeida, pelo fato de o curso ser novo e ter formado apenas uma turma, nenhum aluno fez o Exame da Ordem. Segundo a OAB, 14 alunos desta universidade fizeram a prova. Para Jessé, o exame aplicado pela OAB "não tem padrão pedagógico". "O Exame da Ordem é uma questão complicada, o nível de aprovação nacional está em torno de 9%".
A assessora de coordenação do curso de Direito da Faculdade Evangélica de Goianésia, Kênia Rodrigues de Olveira afirma que a maioria dos alunos, embora tenham concluído o curso, fizeram o Exame da Ordem por teste. "A partir de agostos vamos nos reunir para decidir as estratégias sobre essa questão".
A coordenadora do curso de Direito da Unicaldas afirma que a faculdade vai trabalhar para melhorar a qualidade de ensino e do quadro de professores. "Pela primeira vez aconteceu isso, nas outras provas os alunos superaram as expectativas. Vamos reverter a situação e fazer um trabalho mais sério do que fizemos até agora."