José Cácio Júnior
Com mais de 34 anos de atuação no mercado imobiliário e com meta de atuar no mercado internacional, o grupo Rizzo passa por uma mudança de posicionamento que foca no serviço oferecido ao usuário.
O presidente do grupo, Leonardo Rizzo, aposta na oferta de serviços bancários e tributários para oferecer uma venda completa aos seus clientes e assim criar o Shopping do Imóvel.
“Por que nós não podemos trabalhar fora também?”, lembra Rizzo sobre a possibilidade de as empresas nacionais se tornarem referência no setor imobiliário, como quando os grandes grupos internacionais decidiram investir no Brasil.
Rizzo critica as mudanças realizadas no Plano Diretor de Goiânia, fala que desistiu de disputar cargos eletivos e conta como está envolvido em projetos ambientais e culturais. Confira trechos da entrevista concedida ao jornal A Redação.
A Redação: Recentemente a empresa mudou a logomarca. O que motivou essa mudança e o que representa no dia-a-dia da empresa?
Leonardo Rizzo: Na realidade, desde quando a gente fundou a Leonardo Rizzo, esperávamos ficar somente no Rizzo. Esperamos um dia ficar só com os dois Zs. Ou só a letra O, indicando felicidade. A marca tem uma particularidade. Quanto mais discreta ela for, mas importante ela é. Se o produto é bom, basta uma detalhe da marca que as pessoas já identificam. E esse é o objetivo de uma empresa prestadora de serviço. O Rizzo é para dar uma visibilidade maior de leitura, agilidade, modernidade e inovação. E isso representa a cara atual da empresa: uma gestão corporativa, onde todo mundo percebe a importância da meritocracia.
O que a empresa traz de inovação com essa mudança de conceito?
Uma vez que a empresa já atingiu mais de 100 mil negócios ao longo dos seus 34 anos, a meta é trabalhar no mercado como uma imobiliária que vai opinar nos valores dos produtos que estão sendo ofertados. E ela vai poder vender qualquer produto no mercado. O objetivo é se transformar no Shopping do Imóvel.
Como funcionaria o Shopping do Imóvel?
Queremos fazer o shopping do imóvel financiado. Vamos ter todas as modalidades de financiamento nas nossas lojas. E de informações do mercado. Podemos até dar sugestões a alguém que chega pergutando se é melhor comprar um apartamento de três ou de dois quartos em determinado bairro. Posso dizer que existem outros apartamentos em outros bairros interessantes, mostrar oportunidades e fazer comparação de preços sem aquela pressão para vender. Muitas vezes isso é uma venda de arrastão. Geralmente um imóvel é um investimento para a vida toda. Não pode ser feita de uma forma precipitada. Por isso o foco da empresa volta para o serviço prestado, com uma roupagem nova. Mas com uma precisão e um profissionalismo desejados pelo mercado.
Além da venda existe então um serviço de consultoria.
Exatamente. Uma consultoria tributária, fiscal. Quanto vale isso? O valor da transação vai ficar irrisório em relação aos benefícios que as pessoas vão ter. Posso ter um convênio com um banco e posso aliar isso com os interesses do consumidor. Os horizontes de negócios ampliam-se com a entrada do mercado financeiro no jogo. É preciso que a gente fique muito atento ao que está sendo lançado no mercado, o que é tendência, e mostrar a evolução do ramo imobiliário, explicando a valorização real do imóvel. Em uma fonte que nos interessa somente a credibilidade do mercado. Sem estarmos ligado a um determinado edifício ou empreendimento.
Qual é o ganho de também investir no serviço?
Queremos ser os melhores correspondentes bancários do sistema financeiro da Habitação. Queremos ser os melhores agentes intermediários de todas as transações. E para isso precisaremos de gente. Dentro do nosso planejamento para os próximos cinco anos, vamos aumentar o número de funcionários em mais de 1,5 mil pessoas qualificadas, colaboradores diretos. Nós devemos ter um exército de 800 corretores, ao lado de 600 pessoas na área administrativa. Nós vamos trabalhar no mercado como um todo. Na área imobiliária, de locação, de revenda, de investidores que querem comprar carteiras imobiliárias.
Quais são os projetos do grupo a partir de agora?
Eu acabo de chegar do Golf Club. Vamos citar empreendimentos nessa área. O clube de golfe é um investimento que já custou R$ 42 milhões. Ele custa por ano por volta de US$ 1 milhão (R$ 1,5 milhão). Hoje o clube abriu as aulas da escolinha e o número de alunos está me surpreendendo. Ao mesmo tempo, o número de interessados que querem patrocinar o campo também está me surpreendendo. E são empresas multinacionais que nos têm procurado para transformar o local em uma arena de espetáculos. Estamos falando de um multiplicador difícil de encontrar as cifras. Temos 1 milhão de m² para a verticalização. Se colocar o m² a R$ 2 mil, estamos falando em R$ 2 bilhões de receitas. Estamos falando de cifras astronômicas. E a geração de emprego e desenvolvimento é brutal. Acredito que os setores de turismo e turismo de negócio vão crescer muito. E Goiânia se encaixa bem nesse setores. Se tivermos um aeroporto internacional, com essa demanda, teríamos condições de ter dois voos internacionais por semana saindo de Goiânia. Isso já inseriria a cidade no roteiro turístico internacional.
Goiânia e Brasília são dois centros próximos, geograficamente, mas de realidades diferentes? Como é atuar no Distrito Federal?
De certa forma é um mercado complicado, porque quase todos os bons negócios em Brasília já estão nas mãos de meia dúzia de grupos que dominam o processo imobiliário. Mesmo assim, existem espaços gigantescos a serem atingidos. É um processo inicial difícil, pois você quase inexiste, tamanha é a oferta dos grupos locais. É um mercado que precisa ser trabalhado e se encaixa com tudo o que estamos pensando.
Existe alguma conexão entre os mercados de Goiânia e Brasília?
Sim. E diria também que Palmas e o Maranhão também. Este é um caminho em que queremos crescer. É a Norte-Sul sem obras pré-marcadas. As obras serão definidas pelo mercado. Estamos tendo uma pequena queda para o leste, pois estamos chegando a Luís Eduardo Magalhães (BA), um município que cresce muito. Fizemos uma parceria na cidade em uma área de 2 milhões de m². E nós queremos crescer nesta rota em que traçamos. Nos interessam os grandes mercados? Sim. Mas não é aquilo que gostaríamos de fazer.
Qual tipo de trabalho pode ser feito nessa rota?
Goiás, Brasília, Tocantins e Maranhão juntos dão quase metade de São Paulo. É um mercado importante. E além disso, para mim, o trabalho está muito aliado ao prazer. É a região em que nasci e é onde quero montar minha história. Já que quero ter um trabalho de nível internacional, preciso ter uma base nacional que sustente esse sonho global.
Qual é esse plano global?
Nós podemos ir para outros mercados e Estados. O Brasil, de uma certa forma, já é um continente. E eu gostaria de frisar que estou em um prédio (New Business Center), onde fica o jornal A Redação, cuja gestão que o construiu e definiu toda a incorporação, de como deve funcionar um condomínio, foi a RCBE Richard Ellis, uma empresa que tem mais de 150 anos no mundo. O que eu quero dizer é: será que nós não conseguimos uma incorporação de condomínio tão bem ou melhor do que grupos de fora, que por muito tempo nos influenciou? Já fizemos mais de 100 mil unidades? Não existe muita diferença na prestação de serviço, mas eles estão aqui. Por que não podemos trabalhar fora também?
Qual é a sua opinião sobre o planejamento urbano de Goiânia?
Desde 1988 nós participamos ativamente do Plano Diretor de Goiânia. Eu era vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) e acompanhei bem as mudanças. O Plano Diretor é ótimo. O que estraga os planos são os prefeitos que assumem e entram com novas leis em desconformidade com o Plano Diretor. Estão sempre querendo ser mais realistas que rei. O Plano Diretor é uma planta mãe da cidade que deve ser obedecida. E toda gestão de governo há uma desconfiguração. Isso é absurdo e inaceitável.
Qual é o desafio imobiliário de Goiânia?
O desafio é o mesmo desafio imobiliário nacional. Empreendimentos que são lançados só pela onda da valorização não se sustentarão. Terão um custo mais alto que o benefício. E isso será extremamente perceptível com a velocidade de informação e dados com que o mercado está trabalhando. As informações são online. Estou concedendo entrevista a um jornal online. Eu acredito que essa informação vai trazer a realidade do setor. Daí a importância de uma imobiliária sem vínculo com um produto específico, mas sim com o mercado. Nada melhor do que você ter dinheiro no banco. E melhor do que isso é ter um imóvel que te dá renda compatível à renda que você tem no banco.
E o que você enxerga de desafio e oportunidades para o mercado?
O Plano Diretor de 1988-1992 permitiu que se fizessem edificações no Jardim Goiás, mas nas avenidas principais com saídas laterais. O que fizeram os outros interventores de lá para cá? Interferiram no sentido de adensarem mais o espaço em troca de um parque. É interessantíssima a troca de um espaço por um parque. Mas um parque que seria interessante para 20% do adensamento que vai ter. Quando forem implantados 60% de adensamento, a região do Jardim Goiás ficará intrafegável. Como também não temos espaços interessantes para bares, seremos reféns de um shopping.
Você ainda tem vontade de ser vereador, como já declarou anteriormente?
Eu já tive sonho de ser prefeito de Goiânia. É uma cidade linda, bem concebida pelo arquiteto Atílio Correia Lima, que tinha uma visão extraordinária. Certamente seria o arquiteto para projetar Brasília, se não tivesse morrido precocemente. Eu sonhei em ser vereador e ser prefeito durante meus 34 anos de profissão. Mas na verdade, a criação do Instituto Leonardo Rizzo falou mais alto à vontade de se aliar a projetos de amigos de infância, como Washington Novaes do Meio Ambiente e o artista Siron Franco na Cultura. São dois ótimos expoentes nas suas aréas e resolvi montar um instituto com os dois, logo que a Cidade de Goiás foi declarada Patrimônio da Humanidade. E agora com o projeto do Washington de criar o Museu da Água e do Siron, que pretende resgatar o Monumento das Nações Indígenas, isso vai nos demandar muito tempo. E queremos ser um instituto ativo na linha de certificação do que é produzido no Estado. Temos a preocupação se estão plantando corretamente soja e cana-de-açúcar, por exemplo.
O ativismo te atrai mais?
Sem dúvida, pois eu não seria refém de partido nenhum. Eu posso ser refém da bandeira do instituto. Lutar pela Cultura e pelo Meio Ambiente independente do que pensa um partido ao qual eu viria a pertencer.