A Redação
Um treino silencioso e com clima pesado marcou a reapresentação do Vila Nova, na tarde de quarta-feira, no Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), depois da derrota por 1 a 0 contra o Grêmio Barueri, em uma das piores atuações do Tigre na Série B. A delegação chegou à Goiânia às 13 horas, e não encontrou manifestação dos torcedores no aeroporto Santa Genoveva (como era articulado na internet).
Mas ainda reverberavam sobre os jogadores as declarações de Sizenando Ferro, presidente da New Ville (empresa que comanda o clube) que classificou o elenco como um “time de frouxos”. Tratado como uma das referências no time, o experiente meia Paulo César amenizou a frase do dirigente. “A gente sabe que ele (Sizenando) não pensa assim do grupo e disse isso num momento de cabeça quente. Até mesmo por que ele conhece o time, pois foi ele quem o montou”, afirmou Paulo César.
Paulo César preferiu tratar o último revés, que deixou o Vila na 15ª posição, como uma falta de comprometimento do elenco como um todo. Sem pontuar se há jogadores que não estão se esforçando em campo, o meia rebateu problemas internos de relacionamento. “O clima aqui é ótimo. Mas quando dizemos que somos amigos fora de campo, dentro de campo precisando ser irmãos”, pontua o jogador.
Pior não fica
Preparando-se para encarar agora o Salgueiro, na sexta-feira, no Serra Dourada, data em que o Tigre comemora 68 anos, Paulo César afirma que a torcida pode esperar com certeza uma apresentação melhor, até mesmo por que, segundo disse “acho que a gente não consegue fazer uma partida tão ruim como foi essa contra o Barueri”.
O meia também refutou que atrasos no pagamento de bichos ou salários estariam levando o time à derrocada. “Não há atrasos de pagamento. O Vila não me deve nada. Agora, em relação aos ‘bichos’ atrasados, bicho trata-se de bônus, que você recebe de acordo com o que demonstra dentro de campo. Isso acho que já esclarece a questão”, explica o meia, mesmo sem precisar dizer claramente.
Paulo César evitou questionar as opções táticas adotadas pelo técnico Hélio dos Anjos, que o escalou na ala-direita. “Eu sou meia, jogo bem como meia, mas ontem (terça-feira) foi um dia típico em que tudo dá errado. O Hélio tentou, mudou o time de alguma forma, mas não adiantou”, disse.
Indecisão
Outro jogador escolhido ontem para falar com a imprensa foi o zagueiro Henrique, que jogou os primeiros 45 minutos contra o Barueri, na composição dos três zagueiros. Foi sacado no intervalo. Questionado sobre qual será a formação para a próxima partida contra o Salgueiro, na sexta-feira, foi taxativo: “não tenho a mínima idéia. A mínima ideia”. A escolha, de fato, não lhe é função, mas a declaração reflete a dificuldade da equipe em ao menos formar o esboço de um time base.
Discussão no vestiário
Henrique também contou como foi o clima no vestiário do Tigre depois da derrota. “Cara, foi tenso”, afirma. Antes da chegada do técnico Hélio dos Anjos os jogadores começaram a lavar a roupa-suja, gerando um início de bate-boca entre eles. “Falaram mais os jogadores experientes. O Roni falou, o PC também falou, houve até um início de discussão entre alguns jogadores, mas prefiro não dizer entre quem”, conta.
Em seguida, foi a vez do técnico colorado passar o seu sermão. “Ele falou sobre como foi vergonhosa a atuação, como o time não teve brio e que para reverter isso depende somente da gente”, relata o zagueiro.
Antes do treino nesta quarta-feira, Hélio dos Anjos e o atacante Roni permaneceram sentados e conversando, calmamente, por quase uma hora, observando os demais jogadores que não atuaram em Barueri. No coletivo realizado, destaque para Jajá, que marcou três vezes. Em seguida, Roni se juntou aos que jogaram na terça-feira, para uma corrida regenerativa, lenta e silenciosa, em volta do campo.
Bergson na área
O time também contou com a presença do atacante Bergson, de 20 anos, a nova contratação colorada para a Série B. Bergson apenas se exercitou e sua apresentação oficial deve ser realizada na segunda-feira. Do departamento médico veio a confirmação de que o lateral-direito Luizinho e o meia Davi não estarão disponíveis para sexta-feira.
Ainda sem estrear no Vila Nova, o ala Victor Ferraz, que veio do Altético, assume que ainda não está em sua melhor condição física, mas se coloca à disposição para ocupar a lacuna na lateral-direita (surgida com a contusão de Luizinho e o empréstimo de John Lennon).
“Sofri uma contusão no músculo adutor (da coxa) quando ainda estava no Atlético e por isso meu condicionamento não está totalmente finalizado”. Questionado se conseguiria atuar por ao menos 45 minutos, afirmou que se precisar vai “para o quebra”. “Quero jogar os 90 minutos, até sexta-feira acho que estarei melhor”, alegou.