Atualizada às 23h30
A Redação
Depois de duas horas e meia de reunião com portas fechadas na sede do Ministério Púbico, representantes do órgão, das polícias Civil e Militar, dos clubes Goiás e Vila Nova e da Federação Goiana de Futebol (FGF) chegaram a um consenso sobre a presença das torcidas dos dois clubes no clássico de sábado, pela Série B do Brasileirão, às 16 horas. Revertendo a intenção inicial do MP, e de alguns diretores do Goiás, de realizar o jogo apenas diante da torcida do clube mandante, o acordo estabeleceu uma divisão igualitária da arquibancada entre esmeraldinos e vilanovenses.
A reunião serviu também para solapar a polêmica criada pela promoção de ingressos, que contemplava apenas o torcedor do Goiás com a meia entrada, caso fosse vestido com a camisa do clube. Conforme explicou o superintendente do Verdão Marcelo Segurado, para não se criar maiores atritos, não haverá mais promoção ligada a nenhum dos dois uniformes. “Pagam meia apenas aqueles que apresentarem carteirinhas de estudante”, afirma Segurado.
Os preços, anteriormente firmados de R$ 30(arquibancada) e R$ 60 (cadeira), foram assim reajustados pela diretoria esmeraldina no início da tarde de terça-feira, para R$ 20 (arquibancada) e R$ 40 (cadeira).
Os bilhetes poderão ser comprados nas lojas Flávio’s e nos estádios da Serrinha e Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA). A carga disponível é de 40 mil ingressos.“Acho que agora chega de fazer reunião e vamos focar no jogo”, encerrou o assunto Marcelo Segurado.
Estatuto
Responsável pelo departamento jurídico do Vila Nova, o advogado Maurílio Teixeira questionou a promoção parcial, que veio , por terra. “Isso fere inclusive o Estatuto do Torcedor e seria passível de ação”, afirma. “Quanto às torcidas, confiamos no trabalho da polícia. Eles estão preparados, com efetivo e juizado especial instalado dentro do Serra”, pontuou Teixeira.
Policiamento
Conforme esclareceu o tenente-coronel Guerra, responsável pela segurança do Serra Dourada, serão destacados no sábado 500 homens da Polícia Militar, distribuídos pela cidade, em terminais e vias de acesso ao estádio. Somente no raio de 5 quilômetros em volta do Serra Dourada serão 250 homens, sendo 60 deles do Batalhão de Choque, dentro do Serra, garantindo a segurança das torcidas. O efetivo ainda conta com cavalaria e 25 viaturas.
Federação
Presidente da FGF, André Pitta reforçou o pedido da maioria dos presentes, pedindo um sábado tranqüilo e sem violência, tanto fora como também dentro de campo. “Temos que alertar ao torcedor que estamos sendo vigiados rigorosamente. Qualquer incidente resultará em punição severa aos clubes, assim como ocorreu entre Ponte Preta e Guarani”, alertou.
Pitta esclareceu que entrou em contato, antes da reunião, com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sobre a possibilidade de torcida única no clássico. “A CBF pontuou que não é o momento. Alem disso, com a medida, assumiríamos de que não somos capazes de gerir e realizar esse clássico. Temos que mostrar o contrário”, afirma.
Experiência
Mais cauteloso, o promotor Denis Augusto Bimbati afirma que as medidas de segurança adotadas no clássico serão experimentais. A postura é de observação se elas surtirão efeito. Caso haja violência, elas podem ser radicalizadas. “Se voltar a acontecer casos de violência, fora ou dentro de campo, pediremos no próximo jogo a presença de torcida única ou até mesmo o jogo com portões fechados”, avisa.