Aline Mil
No próximo dia 16/08, terça-feira, a norte-americana Black Label Society sobe ao palco do Centro Cultural Oscar Niemeyer para êxtase dos fãs do bom heavy metal na Capital. O show em Goiânia será o último da turnê latino-americana da banda, que passa ainda por Santiago (Chile), Buenos Aires (ARG), Curitiba, São Paulo e Porto Alegre. O líder do grupo, o guitarrista Zakk Wylde, é considerado um dos mais geniais músicos do gênero e virou ícone para fãs do instrumento ao redor do mundo.
Polêmica
A mulher de Wylde, Barbaranne, foi quem atendeu ao telefone do estúdio do guitarrista, em Los Angeles, no final de julho. Ela é responsável por agendar as entrevistas do músico e foi quem tratou, por e-mail, de todo o trâmite para a conversa entre Wylde e A Redação. Juntos desde os 16 anos, o casal tem três filhos: Hayley-Rae, Jesse John Michael e Hendrix Halen Michael Roads. O trio tem nomes inspirados em ídolos e amigos do casal, entre eles Jimi Hendrix, Eddie Van Halen e John Michael Osbourne – mais conhecido por Ozzy Osbourne.
O destaque internacional dado à carreira de Zakk é resultado da participação do guitarrista por mais de 20 anos na banda de Ozzy, além de projetos paralelos de grande sucesso, como a própria Black Label e sua já falecida banda Pride & Glory.
A saída de Zakk da equipe de Osbourne em 2009 gerou inúmeras polêmicas e boatos. Com uma rara doença genética que afeta a coagulação de seu sangue, Wylde foi obrigado a se ausentar dos palcos por vários meses. Essa é apenas uma das versões do caso. A mais polêmica delas, anunciada pela imprensa estadunidense, apontava que Ozzy teria demitido Zakk da banda porque ele bebia demais e atrapalhava o rendimento nas turnês.
Simplicidade
No início da entrevista, quando a reportagem se desculpou pelo inglês enferrujado, Zakk riu e respondeu, com simplicidade, do outro lado da linha: “Tudo tranquilo, meu inglês também é péssimo!” A brincadeira foi o suficiente para dar o tom do bate papo. Nos dez minutos seguintes, foi possível perceber que a afirmação sobre o inglês era verdadeira, mas a simpatia do guitarrista compensou qualquer esforço para entender o que ele dizia. Confira:
AR – Você tem muitos fãs no Brasil e posso te dizer que em Goiânia muita gente está ansiosa para ver Black Label Society no palco. Vocês já tocaram no mundo inteiro. O que esperam de um show no centro-oeste brasileiro?
Zakk Wylde – Já estivemos na América do Sul antes e estamos muito empolgados com a ideia de tocar aí novamente. Tenho certeza que será muito divertido e bacana, nossas músicas sempre foram muito bem recebidas por aí.
Alguns músicos criticam o excesso de notas em solos de guitarra, dizendo que esse exagero acaba atrapalhando a melodia da música. Esse é o dilema de muitos guitarristas. Para você, qual é a verdadeira função de um solo? Eles são ou não essenciais para uma composição?
Acho que grandes solos fazem sim grandes músicas, mas não são absolutamente obrigatórios. Stairway To Heaven e Hotel California, por exemplo, são músicas muito importantes para a história do rock e que são basicamente solos. Ao mesmo tempo que composições podem ser incríveis sem abusar de solos. Pra mim essa é a beleza da guitarra, as várias possibilidades que o instrumento te oferece. Sou completamente apaixonado por esse universo de possibilidades. Você tem que se deixar levar por seus instintos e aproveitar, sem se preocupar.
A Black Label Society tem produzido e gravado os últimos CDs em estúdio próprio e um amigo me contou que você quer começar a produzir outras bandas, investir nisso. Como está esse processo, já assinaram algum trabalho?
Nós ainda não tivemos a oportunidade de assinar um álbum de outra banda porque simplesmente não tivemos tempo! (Risos) Mas espero que consigamos em breve uma brecha para sentar e produzir o disco de outra banda. Produzir é uma das etapas mais divertidas de se fazer música e não vejo a hora de colocar esse projeto em ação.
Pergunta clássica: bandas brasileiras. Você curte alguma?
Com certeza. Gosto muito de Sepultura, Max Cavalera e vários outros. Temos uma grande e excelente comunidade do metal na América do Sul.
Zakk, muito obrigada pela entrevista e esperamos vocês em Goiânia.
Obrigado você, estou ansioso para tocar na sua cidade, espero chegar logo. Deus te abençõe e até breve!