Jairo Macedo
Quase 12 anos se passaram para que Goiás e Vila Nova se enfrentassem novamente em uma Série B. Nas últimas ocasiões, em 1999, os esmeraldinos venceram todas as partidas. Dessa vez, por um momento, a história parecia ter mudado para o sempre sofrido Tigrão. A equipe colorada dominou a partida e esteve por mais de 30 minutos à frente no placar, mas nos últimos instantes o Verdão conseguiu o empate. O resultado de 1 a 1 – vão dizer alguns – foi injusto. Pode-se dizer também, por outro lado, como se diz sempre: o Vila jogou melhor, mas jogar melhor e não sair com a vitória não interessa.
O público decepcionante – de pouco mais de 13 mil pagantes – que compareceu ao estádio viu uma partida de contrastes. O primeiro tempo foi do popular “jogo truncado”, de muitos erros de passe e faltas desnecessárias. Um pênalti mal batido e tentativas de fora da área foram tudo o que o torcedor viu. No segundo tempo, no entanto, um gol logo no começo deu a certeza de que a partida, daí em diante, seria eletrizante como deve ser um bom clássico.
Primeiro tempo
Com cinco jogadores no meio de campo – três volantes e dois meias – , o Vila Nova dominou o setor e procurou mais a criação, mas não conseguiu chegar com perigo real ao gol de Harlei em nenhum momento da primeira etapa. O meia Paulo César e o lateral-direito Victor Ferraz faziam partida de destaque. Sempre nas costas de Marcão, o ala levou várias vezes a bola à linha de fundo, mas faltou a finalização na área. Roni, único atacante de ofício no Tigrão, brigava bastante, mas não achava seu espaço. Apenas o meia Luiz Fernando levou algum perigo, aos 4 e aos 12 minutos, com bolas batidas de longe.
Pelo lado esmeraldino, pouco toque de bola. Diniz, maior esperança de ligação com o ataque, fazia partida apagada. A bola só chegou mesmo quando o Goiás procurou arriscar de longa distância. Aos 25 minutos, Alan Bahia tabelou, bateu quase da intermediária e Michel Alves teve de fazer linda defesa. Mais tarde, aos 34 minutos, Diniz bateu falta perigosa, que passou por cima do gol colorado.
Pênalti desperdiçado
Aos 40 minutos, o maior momento do Verdão acabou em decepção. Depois de bola alçada na área vilanovense, Adilson se chocou com Marcão e o árbitro, acertadamente, entendeu que foi pênalti. De nada adiantou: Iarley foi para a bola e bateu muito mal. A bola veio fraca e rasteira, facilitando a vida de Michel, que defendeu no canto esquerdo a bola do atacante esmeraldino.
Segunda etapa
Na volta do intervalo, o Vila Nova seguiu com maior posse de bola, mas dessa vez com objetividade. Logo aos 2 minutos de jogo, Paulo César acertou lindo passe nas costas da zaga verde e encontrou Ricardinho na área, que bateu quase caindo no canto direito de Harlei. A bola foi caprichosamente para fora.
Três minutos depois, Paulo César – sempre ele, em grande partida – bateu escanteio na pequena área. O volante Jairo surpreendeu chegando de trás e cabeceando bonito para o fundo das redes do Goiás.
Aos 13 minutos, foi a vez de Ricardinho servir Paulo César, que saiu na cara do gol e já dominou driblando Harlei. Na conclusão, porém, o colorado bateu por cima do gol escancarado.
Em busca de velocidade
À essa altura, a partida pegava fogo e técnico Márcio Goiano precisava movimentar o Goiás. A solução encontrada por ele foi a juventude de Felipe Amorim e Max Pardalzinho, que entraram nos lugares de Diniz e Guto, respectivamente. A aposta na velocidade dos dois atletas fazia sentido, mas o Vila Nova continuou dominando.
O zagueiro Éder Lima, em disparada pela esquerda aos 19 minutos, serviu Roni. Livre na área, o veterano carimbou a trave direita do Goiás. Max Pardalzinho respondeu em seguida ao arriscar de fora da área uma bola que Michel Alves espalmou.
Empate esmeraldino
E foi também de longe, já aos 41 minutos, que o Goiás empatou a partida. O meia esmeraldino bateu de direita na entrada da área. Com visão congestionada pelo excesso de jogadores, Michel Alves nem viu a bola entrar no canto direito de seu gol. Antes, a bola passou entre as pernas de Iarley, que usou de sua experiência para não atrapalhar a batida de seu companheiro.
Fim de partida no Serra Dourada, o Vila Nova saiu, claro, decepcionado pela vitória que escapa novamente entre seus dedos. Com o empate, o clube continua na 14ª posição. O Goiás, por sua vez, sobe uma posição e é atualmente o 6º colocado da Série B.
Ficha técnica
1 GOIÁS: Harlei; Douglas, Rafael Toloi, Ernando e Marcão; Marcinho Guerreiro, Alan Bahia (Marcelo Costa), Carlos Alberto e Diniz (Felipe Amorim); Iarley e Guto (Pardalzinho). Técnico: Márcio Goiano
1 VILA NOVA: Michel Alves; Vitor Ferraz (Juninho), Augusto, Éder Lima e Jorge Henrique; Jairo, Adilson, Ricardinho, Paulo César e Luiz Fernando (Wando); Roni (Betinho). Técnico: Hélio dos Anjos
Local: Estádio Serra Dourada. Data: 6 de agosto de 2011, sábado. Horário: 16h20. Árbitro: Leandro Pereira Vuaden (FIFA-RS). Assistentes: Erich Bartolomeu Bandeira (FIFA-PE) e Jossemmar José Diniz Moutinho (PE). Gols: Jairo (aos 5 minutos do 2º tempo) e Felipe Amorim (aos 41 minutos do 2º tempo). Cartões amarelos: Rafael Tolói, Marcão, Michel Alvez, Max Pardalzinho e Éder Lima. Público: 13.040 pagantes. Renda: 204.035 reais.