A Redação
Goiânia – Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) demonstrou que níveis mais elevados de aptidão cardiorrespiratória estão associados a menores níveis de ansiedade e raiva, além de maior resiliência emocional diante de estímulos estressantes. O estudo foi publicado na revista científica Acta Psychologica.
A aptidão cardiorrespiratória, frequentemente mensurada por meio do consumo máximo de oxigênio (V̇O2max), é reconhecida como um importante indicador de saúde cardiovascular. No entanto, o novo estudo amplia essa compreensão ao evidenciar sua relação com aspectos emocionais e psicológicos.
Primeiro, os pesquisadores estimaram a aptidão cardiorrespiratória de 40 participantes, por meio de um cálculo que leva em consideração nível de atividade física declarado, idade, índice de massa corporal e sexo. A partir desses dados, os voluntários foram classificados em grupos com aptidão acima ou abaixo da média, segundo valores de referência para a população brasileira.
Posteriormente, os participantes foram expostos a imagens desagradáveis. Esse protocolo experimental é amplamente utilizado para indução controlada de respostas emocionais. Instrumentos validados foram aplicados para mensuração de ansiedade e raiva antes e após a exposição às imagens.
Os resultados indicaram que indivíduos com maior V̇O2max, ou seja, com mais aptidão cardiorrespiratória, apresentaram menores níveis de ansiedade traço, menor probabilidade de aumento acentuado do estado de ansiedade após exposição a estímulos desagradáveis e perfil emocional mais resiliente.
Exercício físico e saúde mental
Segundo o professor Claudio Andre Barbosa de Lira, da Faculdade de Educação Física e Dança (Fefd) da UFG, os resultados reforçam a importância do exercício físico como estratégia de promoção da saúde mental.
“A aptidão cardiorrespiratória não está associada apenas à prevenção de doenças cardiovasculares. Nossos dados mostram que indivíduos mais condicionados tendem a apresentar respostas emocionais mais estáveis diante de estímulos estressantes. Isso amplia o papel do exercício físico como ferramenta não farmacológica de cuidado com a saúde mental”, destaca o pesquisador, que coordena o Laboratório de Avaliação do Movimento Humano (Lamovh).
Segundo ele, em um contexto no qual os transtornos de ansiedade figuram entre os principais desafios de saúde pública, compreender os mecanismos fisiológicos associados à regulação emocional é fundamental.
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