Foi com pesar que recebi a notícia da suspensão por tempo indeterminado do Citybus. Creio que estamos perdendo muito com o fim do serviço em Goiânia. Mesmo com baixa demanda de público, ínfimos 1.900 passageiros por dia, segundo as empresas de transporte coletivo, sua existência se justificava sob uma lógica maior, um sistema que dê conta de todos os gostos e bolsos.
A diferença entre o valor cobrado no Citybus e os R$ 2,70 da rede convencional não é o ponto em questão. A ideia de instalar a diferenciação de preços se embasava na importância de contemplar um público que não se incomoda com o valor, mas sim com o conforto. Em todo tipo de comércio isso é comum. Peguemos um caso que todos apreciamos, a cerveja. Temos desde aquelas super populares com preço baratíssimo até aquela belga mais que especial cuja gota vale ouro. Ambas são cervejas, mas para fins completamente distintos.
Nessa lógica também deveria ser a comparação do Citybus e do ônibus convencional. O usuário do ironicamente apelidado de Vazião ganharia o conforto de deixar o carro em casa e poder circular com mais comodidade. Ou ainda mandar o filho para a faculdade em um esquema mais tranqüilo. Na outra ponta, o usuário dos coletivos usuais ganharia um trânsito mais fluído. A cidade ficaria melhor com menos carros, menos poluição, menos ruído na orelha.
Uma pena que desde o início o serviço não caiu nas graças da população. A primeira queixa foi acerca do preço da passagem. Os valores foram rebaixados. Depois, reclamaram das rotas. As linhas foram rearranjadas. Mesmo com todo esforço, não houve adesão significativa.
Por outro lado, se não tivemos grande receptividade por parte do público, não quer dizer que o serviço deveria ser extinto. Poderia ser novamente readequado para o que a realidade demandava. Não existe cidade com transporte público decente que não trabalhe com a diferenciação de serviços. Parece que quando o assunto é ônibus em Goiânia, damos um passo adiante como foi na passagem integração e dois atrás como foi no fim do Citybus.
O poder público tem que entender que é impossível agradar a Deus e ao diabo nesse assunto: ou se contempla a sociedade, ou os empresários são agraciados. Acender uma vela para cada, nesse caso, é irreal. Até hoje, só o lado empresarial ganhou com um serviço essencial para a qualidade de vida de qualquer cidade. O fim do Citybuys foi a resposta do empresariado para a vitória da sociedade com a revogação do reajuste e criação da integração de passagens. A pergunta que fica: o poder público vai permitir esse retrocesso?