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A solução para a classe média eu vou dar

20.09.2011 - 11:05:47
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Você, cidadão brasileiro assalariado e que não tem herança, não consegue crescer na vida. Eu sei o que você passa, porque sou exatamente igual a você. O seu salário é consumido em contas e contas e, no final do mês, que Deus abençoe o limite do cheque especial, que dilapida alguns bons reais quando o salário é depositado. Para você, que só tem uma aparição de azul por mês na conta bancária, o bendito salário, contra um milhão de débitos em vermelho, a solução para constituir patrimônio é simples: arrume mais conta. Deva sem dó! Abra financiamento e caia dentro da dívida sem dó. Só assim você vai conseguir ter algo para chamar de seu na vida.

 

Esqueça o papinho daqueles economistas engomadinhos da televisão, que dizem que a poupança é o melhor caminho. Eles afirmam que juntar é mais compensador. Sério: em que diabos de mundo esse povo vive! Esse bando de Ned Flanders… Quem, em sã consciência, consegue juntar dinheiro, meu Deus?!? O samba antigo já diz que dinheiro na mão é vendaval. Quem está mais certo: o samba ou o economista insípido e almofadinha da Rede Globo? Eu fico com o samba!

 

E digo, novamente, pelo meu próprio exemplo, trabalhador ordinário como você, nobre leitor: não importa o quanto de grana entre no mês, eu gasto tudo. Seja um ou um milhão de reais, nunca sobra nada para a poupança. Se é um mês de vacas magras, corto o supérfluo, diminuo a birita, não janto fora e, bingo!, todas as contas são pagas em dia. Agora, se é um mês no qual a sorte sorriu para mim… Dá-lhe vinho caro, baladas no meio de semana, presentes para a mulher, filhas, família… Nenhum convite é negado, por que a vida é agora e a felicidade não tem preço, como bem me ensinaram as propagandas de cartão de crédito. Novamente, todas as contas são pagas em dia, mas não sobra um bendito realzinho para a poupança que os economistas fora da realidade tanto pregam.

 

Por isso que eu digo: faça financiamento, deva muito, tenha crediários. Os juros, bem, são os juros! Fugir deles é igual fugir de muriçoca: você até tenta, mas invariavelmente sairá picado – mais picado ou menos picado, esse é o detalhe, mas não dá para fugir 100%. Por outro lado, você não vai deixar parcela nenhuma para trás. Você vai pagar todas suas contas como faz todo mês. E vai continuar sem colocar um xelim na caderneta de poupança, mais uma vez, como faz todo mês.

 

Esqueça a falácia que é juntar dinheiro e venha para a vida real. Poupança é realidade desse povinho que não vive de verdade. Na rua não é assim não! A única coisa que gente de verdade respeita é conta, pois pagamos todas. Fora isso, nosso hedonismo sempre foi mais forte que nosso idealismo. Desde que o samba é samba é assim. E não vai ser um economista mauricinho que vai mudar isso.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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