Hoje é dia de deixar o carro na garagem. Como ir para o trabalho? Bom, se vira! Existem ônibus rodando pela cidade (todos péssimos), você pode tirar a poeira de sua bike e dar umas pedaladas (infelizmente ainda sem as ciclovias) ou mesmo ir andando. O fato é que hoje não dá para colocar a chave na ignição do carro, dar partida e circular pelas ruas sem se sentir um péssimo cidadão, um cara descompromissado com o meio ambiente e que está se lixando para o futuro.
Para você que não tem a mínima ideia sobre o que eu estou falando, se liga aí: o Dia Mundial sem Carro (DMSC) está rolando hoje e começou como uma movimentação em algumas cidades europeias há mais de 10 anos. Desde então, a ação vem ampliando seu alcance e ganhando o mundo. Todo dia 22 de setembro, essa manifestação que clama por uma reflexão/atitude de todos sobre os inacreditáveis problemas causados pelo uso praticamente exclusivo de automóveis como forma de deslocamento, em especial nos grandes centros urbanos. Além disso, é um convite à mobilidade alternativa, onde o carro (meio de transporte egoísta, poluidor e anti-social) não é o foco principal.
Olhando agora pela janela, percebo que pouca gente em Goiânia aderiu. A rua continua lotada de carros, a enorme maioria deles circulando com uma única pessoa dentro daquele trambolho. Cada um, cada um. Eu não me sinto nada à vontade em não participar de uma mobilização que, no meu entender, é urgente para uma melhor qualidade de vida em nossa cidade. Lembre-se de mim quando reclamar da qualidade do ar, do calor que só aumenta ou estiver preso no trânsito, certo?
Eu aproveitei e marquei para hoje a revisão periódica do meu carro na concessionária. Vou deixar ele lá para dar aquele baculejo básico e vou seguir para um trampo de baú e, para o segundo, vou andando mesmo. Numa relax, numa tranquila, numa boa. Com um foninho cheio de bons sons na orelha, aproveitando para colocar a leitura em dia dentro do ônibus e de consciência livre, leve e solta e por estar fazendo minha parte. É importante mostrarmos para o poder público que andamos de carro não é por que gostamos, mas sim por falta de alternativas que sejam mais rápidas, seguras e econômicas que o transporte individual.
Eu toparia perfeitamente deixar meu carro em casa todos os dias caso eu chegasse nos horários precisos e em segurança indo de ônibus ou bicicleta para o trabalho. Alô, prefeito Paulo Garcia! Cadê as ciclovias cortando Goiânia de ponta a ponta? Cadê as faixas exclusivas de ônibus dando prioridade efetiva ao transporte público?
Enquanto eles não agem de lá, a gente age de cá. Sob a perspectiva simbólica, é fundamental ter mais e mais gente aderindo ao DMSC. Eu estou dentro, e você?