Larissa Lessa
Aumento do uso de cartão de crédito, falta de planejamento do orçamento e desconhecimento das taxas de juros. Foi esse o perfil de consumo do goiano identificado pelo Procon Goiás em pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22/9). O relatório, que está no terceiro ano, objetiva apontar as principais fragilidades do consumidor para direcionar as ações do órgão de educação para o consumo.
Neste ano, 72% dos consumidores afirmaram que utilizam o cartão de crédito, contra índice de 53% em 2010. O dado preocupa quando comparado a outra resposta: 22% dos entrevistados disseram não ter o hábito de planejar o orçamento doméstico. Em 2010, eles representavam 15% do total. “O consumidor está utilizando mais o cartão de crédito, que tem uma das maiores taxas de juros, mas não controla o orçamento. Esse é o primeiro passo para o endividamento”, analisa o gerente de pesquisa e cálculo do Procon Goiás, Gleidson Tomaz.
Dados do órgão indicam que, depois de três meses pagando o mínimo da fatura do cartão de crédito, o consumidor terá aumento da dívida inicial em cerca de 40%. “É como se nenhum pagamento tivesse sido feito para saldar a dívida”, completa o representante do Procon. Nesses casos, uma das saídas recomendadas pelos especialistas é trocar a dívida com juro alto por outra com taxas menores.
Na prática, o consumidor pode adquirir um empréstimo por crédito pessoal (4% a 5% de juros ao mês) ou consignado (1,5% ao mês) para pagar a dívida do cartão de crédito (juros de 19% ao mês). O problema apontado na pesquisa é que muitos consumidores desconhecem as taxas de juros praticadas no mercado. Cerca de 60% deles disseram que a opção sugerida pelos economistas não é um bom negócio.
Como fator positivo, a pesquisa indica que aumentou de 43% para 55% o índice de clientes que não têm problemas para entender e identificar as tarifas bancárias. Há três anos, houve a padronização do nome das tarifas, que caíram de 80 para cerca de 20. Todos os bancos são obrigados a seguir a mesma nomenclatura.
Recomendações
Para quem se encaixa no perfil de consumo apresentado pelo Procon, a dica do órgão é planejar os gastos. “A orientação é colocar na ponta do lápis todas as despesas e a receita da família. Se você fizer essa experiência, ou vai ter um grande susto e terá que rever seu orçamento, ou vai chegar ao fim do mês com reserva de dinheiro”, afirma o gerente de pesquisa e cálculo do Procon.
O consumidor que quiser recalcular a dívida pode ainda procurar o Núcleo de Renegociação de Dívidas do Procon, localizado na Rua 2, Setor Central. Lá, os técnicos do Procon vão calcular a dívida e acompanhar o processo de negociação com o credor. De acordo com o gerente do Procon, quem tiver sucesso na negociação da dívida com a empresa terá que passar obrigatoriamente por um curso de educação para o consumo.
A pesquisa divulgada hoje pelo Procon foi realizada com 420 consumidores de um shopping da capital. As 11 perguntas se dividiram em três assuntos: controle do orçamento doméstico, postura do consumidor em relação ao crédito e nível de informação sobre produtos e serviços financeiros. Mais informações podem ser obtidas no site do Procon Goiás.