Mônica Parreira
Goiânia – A equipe Monte Cristo está enfrentando um momento difícil. Depois de atingir o ápice de conquistas na temporada 2013, o representante goiano pode estar com os dias contados para fechar as portas e, o que é pior, às vésperas do torneio de vôlei mais importante do Brasil, a Superliga A.
O problema gira em torno da situação financeira do time. Sem verba nem mesmo para bancar o salário dos atletas, o Monte Cristo precisa de patrocínio se quiser disputar a elite do vôlei nacional. A equipe conquistou vaga na elite do vôlei brasileiro depois de ser campeã da Superliga B, em março.

Esta é a primeira vez que um time goiano se garante na Superliga A, competição organizada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).
Atualmente com 36 funcionários, sendo 18 atletas, o clube precisa de pelo menos R$ 200 mil para cobrir as despesas do orçamento mensal, o que inclui salários, uniformes, hospedagem e alimentação. O benefício que a CBV oferece é somente transporte aéreo.
Além da Superliga B, o Monte Cristo faturou, nesta temporada, a fase regional e nacional da Supercopa Banco do Brasil, a Liga do Desporto Universitário (LDU) Nacional e os Jogos Abertos Brasileiros (JABs). Os goianos ficaram, ainda, com o sétimo lugar na Universíade, torneio que disputaram na Rússia representando o Brasil.
Corrida contra o tempo
Os jogos da Superliga A estão marcados para começar no dia 14 de setembro. Nesta data, o Monte Cristo precisa estar preparado para enfrentar o Cruzeiro (MG), no Ginásio Rio Vermelho. A delegação se reapresentou há um mês, quando começou os treinamentos para a competição.
Segundo o técnico Paulo Martins, a Agência Goiana de Esporte e Lazer (Agel) se comprometeu em disponibilizar R$ 500 mil, por meio do Programa Estadual de Incentivo ao Esporte (Proesporte), até o fim de 2013. Para o ano que vem, o incentivo subiria para R$ 1 milhão. O dinheiro, porém, nunca chegou aos cofres do clube.
Mesmo sem receber, equipe ainda treina normalmente (Foto: reprodução/Monte Cristo)
"Nosso erro foi ter feito esse acordo de forma verbal. O diretor nos garantiu que esse orçamento entraria, caso contrário nós não teríamos firmado o compromisso de disputar a Superliga A com a CBV. Só fizemos nossa inscrição acreditando que receberíamos essa verba. O salário de todos já está atrasado há um mês e, até agora, não temos nenhuma resposta", disse o técnico em entrevista ao jornal A Redação.
O que está ruim pode piorar. Acontece que o Monte Cristo tem até terça-feira (20/8) para confirmar a participação no torneio. Em caso de recusa, a equipe vai pegar quatro anos de suspensão.
A reportagem fez contato com a assessoria de comunicação da Agel para obter informações sobre o suposto acordo, mas a agência não deu informações sobre o caso.
Alternativas
Paulo Martins disse que o Monte Cristo chegou até a receber proposta do município mineiro de Montes Claros. "Eles querem comprar nosso projeto e levar para lá, mas queremos continuar em Goiás. A vaga é nossa, nós queremos representar o Estado em nível nacional, mas do jeito que está não dá".
Torcedores lamentam situação do time (Imagem: reprodução/Facebook)
O eminente fim do Monte Cristo despertou mobilização até mesmo nas redes sociais. E, mesmo faltando apenas quatro dias para confirmar a participação na Superliga A, Paulo Martins ainda acredita que possa existir uma solução.
"Nosso apelo chegou até os ouvidos do secretário de Indústria e Comércio Alexandre Baldi e fomos muito bem recebidos pela equipe dele. Levamos nosso projeto e agora estamos aguardando ansiosos por uma resposta positiva. Caso contrário, devo reunir a equipe na semana que vem, esclarecer os fatos e colocar um ponto final no projeto", lamentou o técnico.