João Gabriel de Freitas
(atualizada às 00h05)
Se nos últimos dias alguns jogadores e membros da comissão técnica do Goiás ainda sustentavam que o time tinha chances matemáticas de buscar uma vaga para a Série A, tal discurso foi solapado na noite desta sexta-feira. Ao deixarem o gramado do Serra Dourada depois de mais uma derrota, desta vez para o então vice-lanterna Salgueiro, por 1 a 0, os jogadores foram unânimes: agora, o time luta para não ser rebaixado para a Série C.
Caído de paraquedas no olho do furacão, o técnico esmeraldino Ademir Fonseca sintetizou o que pensa na entrevista coletiva. “Agora é lutar para deixar o Goiás ao menos onde o pegamos, na Série B. O que acontecer além disso é milagre”, afirmou Fonseca, que credenciou o nervosismo da equipe dentro de seus domínios como a causa de mais uma derrota. Com os mesmo 30 pontos, o Goiás segue na 14ª posição, mas pode cair para a 15ª colocação se o Icasa vencer o São Caetano neste sábado.
A queda frente o Salgueiro em casa escancara ainda mais a crise no clube esmeraldino. Vindo de demissões de técnico e diretor de futebol, além de revolta da torcida, o Periquito completou seis rodadas sem saber o que é vitória depois estar bem próximo do G-4. Da 20ª à 25ª rodada foram quatro derrotas e dois empates – o clube levou 9 gols e marcou apenas quatro.
“Antes do jogo, falei com os jogadores que hoje definiríamos o que buscaríamos na competição. Se ainda buscaríamos o acesso ou lutaríamos para não cair” afirmou Ademir Fonseca, sem meias palavras. O treinador ainda se mostrou surpreso com o comportamento do time quando atua frente a sua torcida, no Serra Dourada. “Quando jogamos em casa, principalmente depois que tomamos um gol há um desespero incrível, uma intranqüilidade muito grande. Não conseguia articular as jogadas. Nas poucas chances que teve, no segundo tempo, não teve tranquilidade para fazer o gol” analisou Fonseca.
A torcida, novamente, não perdoou e desde a metade do primeiro tempo começou a vaiar o time. Depois de 45 minutos, com o time já perdendo por 1 a 0, uma turba se aglomerou na saída dos vestiários para hostilizar os jogadores, o que se repetiu no final da partida.
Jogo sem sal
Dúvidas antes da partida devido a contusões durante a semana, Rafael Toloi e o atacante Hugo tiveram confirmados escalação no time titular, em um esquema com três zagueiros proposto por Ademir Fonseca. Toloi, Ernando e Marcão formaram a retranca, para dar maior liberdade aos alas Douglas e para o estreante Gersón, que demonstrou claro despreparo físico.
Logo nos primeiros minutos do jogo, Amaral sentiu contusão. Chegou a voltar para o campo, mas não aguentou. Aos 21 minutos, Marcinho Guerreiro foi para o campo para protagonizar lances de desespero e aflição na torcida, sobretudo na segunda etapa. O time seguiu sem ameaçar o gol do Salgueiro durante quase todo o primeiro tempo. Teve sua melhor chance aos 37 minutos, em falta cobrada por Diniz, defendida por Luciano.
No lance seguinte, o camisa 9 do Salgueiro, Josi, recebeu frontalmente ao gol de Harlei, na entrada da área. Fingiu o chute com a direita e cortou Marcinho Guerreiro, que passou batido de carrinho, para completar de canhota. O chute violento e alto surpreendeu Harlei, que não alcançou- 1 a 0. No minuto seguinte, Josi quase ampliou, em chute pela esquerda, mas esta, Harlei defendeu.
Bolas na trave
No intervalo, Ademir Fonseca sacou Diniz, apagado em campo, e promoveu Max Pardalzinho. A equipe voltou elétrica na segunda etapa. Logo aos três minutos, a primeira bola na trave, em chute de Marcinho Guerreiro completando cruzamento de Douglas.
Aos 4 minutos, Harlei precisou defender com pé chute de Thoni, evitando o segundo gol do Salgueiro. Aos 6, Alan Bahia tocou para Hugo que escorou. O volante chegou batendo de fora da área, raspando na trave direita do goleiro Luciano.
Aos 11, nova substituição no Goiás, de Wellington na vaga de Hugo. Aos 14 minutos, Marcinho Guerreiro novamente balançou a trave, em meia bicicleta, completando cruzamento de Pardalzinho. O ímpeto parava por aí. O desespero diante da falta de gol, alardeado por Fonseca, se sobrepunha às ações e o Salgueiro soube fazer proveito disso.
O clube pernambucano ainda teve chance de ampliar. Aos 43 minutos, Edmar foi derrubado na área por Marcinho Guerreiro. Pênalti. Paulo Santos cobrou no canto esquerdo, mas Harlei caiu bem e evitou o 2 a 0. Mesmo com a vitória, o Salgueiro segue na faixa de rebaixamento, com 25 pontos, mas na 18ª colocação.
Na próxima rodada, o Goiás encara a líder Portuguesa, na terça-feira, no Canindé.
Ficha Técnica:
0 GOIÁS: Harlei; Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas, Amaral, Alan Bahia, Diniz (Max Pardalzinho) e Gérson; Iarley e Hugo(Wellington). Técnico: Ademir Fonseca
1 SALGUEIRO: Luciano; Thoni, Juninho(Amaral), Alexandre e Piauí; Diego Paulista, Pio (Alemão), Renê e Paulo Santos; Josi (Edmar) e Ricardinho. Técnico: Luiz Carlos Barbieri
Local: Estádio Serra Dourada. Árbitro: Renato Cardoso da Conceição (MG). Assistentes: Breno Rodrigues (MG) e Carlos Emanuel Manzolillo (DF). Cartões amarelos: Marcinho Guerreiro, Rafael Toloi, Pio. Gol: Josi, aos 40 minutos do primeiro tempo.
Melhores Momentos
Primeiro tempo
21 minutos – Substituição. Amaral, que sentiu contusão logo no início da partida, não consegue seguir e é substituída por Marcinho Guerreiro.
37 minutos – melhor momento do Goiás no primeiro tempo. Diniz cobra falta perigosa e Luciano espalma para escanteio.
40 minutos – GOL! Atacante Josi, camisa 9 do Salgueiro. Recebe na entrada da área, finge chutar com a direita e corta Marcinho Guerreiro, que passa batido de carrinho. O atacante pega de esquerda e surpreende Harlei – 1 a 0.
41 minutos – Novamente Josi, desta vez pela esquerda, enche o pé e quase amplia. Harlei espalma.
45 minutos – Diniz, dentro da área, pega sobra de primeira e tem bela chance de empatar. Mas chuta para fora.
Segundo tempo:
3 minutos – Na trave! Douglas, pela esquerda, manda para a área do Salgueiro, Marcinho Guerreiro, na segunda trave completa e acerta a trave.
4 minutos – Thoni entra na área do Goiás e finaliza, com o pé, Harlei salva o segundo gol do Salgueiro.
6 minutos – Alan Bahia toca para Hugo, que ajeita. Alan Bahia chega batendo, próximo à trave direita de Luciano.
11 minutos – Substituição. Hugo deixa o Goiás para a entrada de Wellington.
14 minutos – Na trave! Novamente Marcinho Guerreiro. Max Pardalzinho cruza para a área depois de tentar chute. O volante tenta meia bicicleta, acerta novamente a trave e se revolta.
25 minutos – Tumulto na zaga do Salgueiro. Depois de cobrança de escanteio, a Marcão completa e a bola fica poucos centímetros da linha do gol.
43 minutos – Pênalti para o Salgueiro. Marcinho Guerreiro derruba Edmar na área.
44 minutos – Paulo Santos cobra e Harlei defende.